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29/05/2019

DO TRADUTOR DA BÍBLIA FREDERIÇO LOURENÇO, OS ENSAIOS DE O LIVRO ABERTO: LEITURAS DA BÍBLIA

"No que toca ao Novo Testamento, gostaria de clarificar o seguinte, dizendo que acredito ter existido um homem real chamado Jesus, que não nasceu em Belém (…), mas que foi de fato crucificado em Jerusalém na década de 30 do século I da era cristã. E não tenho nenhum problema em afirmar que, pessoalmente, considero Jesus de Nazaré a figura mais admirável de toda a história da Humanidade.”

Escritor fascinado pelos textos bíblicos, Frederico Lourenço lança na Flip O livro aberto: leituras da Bíblia, pela Editora Oficina Raquel. O autor parte do seu conhecimento do grego antigo – língua na qual foram escritos os livros do Novo Testamento e a ‘Bíblia dos Setenta’ (Septuaginta), que constituiu a Bíblia dos primeiros cristãos – para fazer uma leitura pessoal de passagens, temas e figuras bíblicas e jogar uma nova luz sobre aquele é considerado ’o livro dos livros’.

A obra é provocadora e dialoga com o leitor da atualidade a respeito da interpretação do texto bíblico, fomentando uma discussão sobre mensagens que estão presentes no Antigo e no Novo Testamentos. O autor português vai à raiz de muitas palavras para tentar recuperar o sentido primordial. Nesse campo, os 25 ensaios que compõem a obra são ainda mais interessantes.

Tradutor de obras como IlíadaOdisseia, atribuídas a Homero, e da própria Bíblia – traduzida pela primeira vez do grego para o português – , em O livro aberto: leituras da Bíblia, editado em Portugal em 2015, Lourenço propõe uma leitura não-religiosa da escritura, remetendo a diversas compreensões.

A concepção do autor é não-confessional: “a perspectiva sob a qual as reflexões que compõem este livro foram concebidas não é religiosa. Não escrevo como seguidor de nenhuma das religiões implicadas no texto da Bíblia – judaismo e cristianismo.”

No livro, que reúne 25 curtos ensaios, Frederico Lourenço parte da questão geral de como é possível ler a Bíblia para se debruçar depois sobre temas e personagens diversos (Ezequiel, Job, Salomão, Ester, Jesus, São Paulo, entre outros), e também sobre as formas de leitura dos evangelhos e os problemas de tradução.

Um dos mais importantes pontos de discussão do livro é a interpretação literal. Para Lourenço “nenhum livro da Bíblia foi escrito para ser relativizado e lido cum grano salis [como um grão de sal]; foi escrito, isso sim, para ser lido à letra”, por mais problemas que isso provoque aos leitores pós-modernos.

Confessando que parte de uma posição não-religiosa na aproximação ao texto, o autor diz: “mesmo não acreditando que a Bíblia transmita ‘sem erro’ a palavra infalível de Deus e duvidando, ao mesmo tempo, que a correta leitura da Bíblia seja relativizar e alegorizar tudo o que lá encontremos que não nos convém, mesmo assim considero o tempo gasto a ler este mais fascinante de todos os livros tempo ganho e (porque não?) infalivelmente bem empregue.”

SOBRE FREDERICO LOURENÇO

Ficcionista, ensaísta, poeta, tradutor, Frederico Lourenço nasceu em Lisboa, em 1963, e atualmente é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, depois de lecionar por mais de uma década na Universidade de Lisboa, onde se doutorou com uma tese sobre Eurípides. Traduziu a Ilíada e a Odisseia de Homero, bem como um volume de poesia grega, duas tragédias de Eurípides ou peças de Schiller e Arthur Schnitzler. No domínio da ficção é, entre outros títulos, autor da trilogia Pode Um Desejo Imenso (que inclui também, além do título homônimo, os romances O Curso das Estrelas e À Beira do Mundo). Publicou ensaios como O Livro Aberto: Leituras da Bíblia ou Grécia Revisitada, e livros de poemas como Santo Asinha e Outros Poemas e Clara Suspeita de Luz. O primeiro volume da sua nova tradução da Bíblia valeu-lhe, em 2016, o Prêmio Pessoa.