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29/05/2019

A EDIÇÃO BRASILEIRA DE A CIDADE DE ULISSES POR GILDA SANTOS

A edição brasileira de A Cidade de Ulisses traz na capa uma imagem espraiada de Alfama, graficamente tratada como pintura hiper-realista.  Seria uma foto, não fossem as marcas do pincel e do relevo da tela, de onde jorram cores vivas.

O recorte é tomado do alto, a partir do muito visitado miradouro das Portas do Sol, num ângulo que ressalta os telhados rubros do casario e as fachadas multicoloridas em seus vários níveis, denunciando os altos e baixos sinuosos das vias, e uma multiplicidade arquitetônica a emblematizar várias épocas.  Nessa dinâmica verticalizante, também as muitas janelas, varandas e mansardas – algo cubistas – apontam para uma diversidade misteriosa, que atiça o gosto pela busca, pelo desvendar.  Retalho citadino com o Tejo ao fundo, cujo azul se mescla ao do céu.

Não falta mesmo uma grua entre o zimbório da seiscentista Igreja de Santa Engrácia, hoje Panteão Nacional, e a fachada da setecentista Igreja de Santo Estevão, também dita do Santíssimo Milagre.  A grua sinaliza as novas construções em curso, a renovação constante da metrópole, e, simultaneamente, por estar junto ao rio, constitui-se como instrumento indispensável ao manejo de pesadas mercadorias, atualizando a vocação mercantil da urbe, desde o tempo dos Descobrimentos.

Fotografada, desenhada ou pintada, inconfundível na sua plasticidade é Lisboa, a cidade do mítico Ulisses.  Eis porque, mal ultrapassamos a capa, somos avisados por T.G.: “este livro dialoga deliberadamente com as artes plásticas”.

E, logo nas primeiras páginas, quando uma exposição sobre a cidade se anuncia, ficamos a saber: “Lisboa é obviamente um tema inesgotável”, “Lisboa era provavelmente a mais desconhecida das capitais da Europa e uma das mais desconhecidas do mundo”, “uma cidade com trinta séculos baralha-nos as perspectivas”…

Por tudo isso, um espaço inigualável para acolher uma densa história de amor, na sua complexa pluralidade e no seu indizível.

 

Gilda Santos é pesquisadora e lidera o grupo “Pólo de Pesquisa sobre Relações Luso-Brasileiras”, do Real Gabinete Português de Leitura.