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Entrevista: conheça Marcos Lima

Jornalista, palestrante e criador do canal do Youtube “Histórias de Cego”, Marcos Lima, concedeu com exclusividade à Editora Oficina Raquel, uma entrevista falando um pouco sobre sua vida pessoal, sua carreira e sobre a Campanha do Catarse para o lançamento do seu livro de crônicas. Confira:

  • Como você perdeu a visão?

ML: Sou o Marcos Lima, tenho 37 anos, nasci com Glaucoma Congênito e fui perdendo a visão, apesar de ter feito 15, 16 cirurgias. Com seis anos eu fiquei completamente cego, o que foi ótimo, porque minha infância foi muito entre cirurgias, pós-operatórios, colírios, e era bastante sofrido principalmente também para a minha família, né? Ficar com aquela esperança de que eu ia voltar a enxergar e tudo mais. Eu enxergava muito pouquinho, então acho que o sofrimento que isso causava não compensava a pouca visão.

  • Ter perdido a visão ainda jovem foi uma barreira ou um fator motivacional?

ML: Desde cedo fui muito incentivado pela minha família a não botar a culpa dos meus problemas na cegueira e a não usar a cegueira como desculpa para as coisas que eu não conseguia fazer. Então eu sempre fui muito cobrado na infância da mesma forma que a minha irmã, que não tem deficiência. Isso me ajudou muito, meus pais me incentivaram muito.

  • Como a Universidade que você se formou lidou com a questão de acessibilidade? Você teve todo o suporte necessário?

ML: A universidade que eu fiz foi a UFRJ. Não tinha nada de acessibilidade, absolutamente nada, nem a mínima preocupação. Eu tinha que me virar com as pessoas, com os amigos e tudo mais, mas sempre contei na vida com muitas amizades e muitas pessoas que foram me ajudando ao longo desse caminho.

  • De onde surgiu a ideia de criar um canal no youtube?

ML: Eu faço palestras desde 2010 ou 2011, não sei exatamente, o que é bizarro, porque eu era muito tímido na adolescência, e com as palestras eu fui gostando cada vez mais de falar. Paralelamente eu escrevi um blog, e uma coisa foi chamando a outra. Só que o blog era uma coisa que por um lado me preenchia mais, porque eu me sentia mais a vontade para escrever. Sou jornalista, minha profissão é jornalista, eu lido com as palavras, eu gosto de escrever, então escrever sempre foi pra mim algo muito natural, algo que gostei muito. Eu escrevia quando era pequeno, e quando passei a ter um computador que falava, com um sistema DOSVOX, eu tinha 11 anos, e já tava lá escrevendo, inventando história de criança, história de Terceira Guerra Mundial, que eu era um general não sei qual… E eu ficava escrevendo, escrevendo, escrevendo, e até hoje eu tenho esses arquivos. Não tenho coragem de ler porque deve ser muito ruim, mas isso mostra o quanto eu já gostava de escrever, quanto eu já gostava disso né? Tanto que eu escolhi minha faculdade porque gostava de escrever. No dia de preencher o que eu ia fazer no pré- vestibular, sempre falei “Vou fazer Informática, eu gosto muito de computador, eu fico muito no computador”. Mas aí no dia que eu fui preencher, me dei conta: “Não, eu não fico no computador porque eu gosto de informática, eu fico no computador porque eu gosto de escrever”. E nisso, fui fazendo o blog, fazendo as palestras. A decisão de ter um canal no Youtube acabou vindo porque nas palestras a gente consegue falar com 20, 50, 100 pessoas de uma vez, mas num canal do Youtube a gente consegue falar com muito mais gente. Tanto que meu canal hoje, já falou com 4 milhões e 400 mil pessoas ou 4 milhões e 400 mil visualizações, pessoas diferentes né, mas eu tenho 180 mil inscritos. Então, são 180 mil pessoas que pelo menos um dia viram algum vídeo meu, e mais gente que viu e não se inscreveu. Isso pra mim é estar atingindo um público que somando as minhas palestras eu não vou conseguir atingir, então pra mim é uma satisfação enorme, porque meu trabalho mesmo são as palestras nas empresas.

  • Como você espera que seu livro tenha impacto na vida dos leitores?

ML: A ideia do livro acabou vindo junto, porque no blog eu tive um problema com o servidor, aliás, eu tive 2 blogs com problema de servidor, um em 2012, outro em 2017. Em 2017 eu tinha um blog com quase 100 textos que eu publicava quase semanalmente, mas teve o problema no servidor e eu perdi o blog. Não perdi os textos, estão no computador, e aí eu tive a ideia “Vou botar isso num livro”. E agora que o meu livro tá na Campanha, eu quero MUITO que dê certo.

  • Diga um motivo para as pessoas ajudarem sua Campanha no Catarse.

ML: Com o livro eu busco mais uma forma de mostrar pras pessoas que a minha deficiência é só um detalhe, que é também o objetivo das minhas palestras, do meu canal. Claro, ser cego tem algumas dificuldades, mas elas estão relacionadas à falta de acessibilidade e ao preconceito. Se o mundo tivesse mais acessibilidade e menos preconceito, a minha deficiência não seria considerada uma coisa tão grande. Então é isso que eu quero mostrar, tanto que o livro não é uma autobiografia, embora todos os textos sejam crônicas escritas por mim, contando episódios diferentes da minha vida, de quando eu jogava futebol de cegos, de quando eu me tornei o primeiro cego brasileiro a esquiar, de quando eu comecei a colecionar minhas miniaturas, conta diversas histórias, de quando eu quase morri numa trilha, enfim, um monte de coisas que eu fui vivendo ao longo da minha vida e que mostra assim “Ó, tipo, eu sou cego, mas não deixei de fazer um monte de coisas”. E acho que se as pessoas querem uma leitura que ao mesmo tempo seja leve, divertida, e que traga conteúdo, compre o livro Histórias de um cego, porque livro como esse você nunca viu e nem eu!

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