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Dia do Orgasmo

Hoje é o dia do orgasmo. As pessoas chegam a publicar stories sobre o assunto, e em certas rodas de conversas de amigas quantas vezes já não se foi perguntando quem não teve um orgasmo? Então, eu gostaria de falar em especial para vocês, mulheres. Temos um histórico social e cultural em que as mulheres não podiam se permitir sentir nada. Depois, já podiam passar a sentir, para no fim, “queremos sentir”. Hoje, no século XXI, chegamos ao paradoxo de que se eu posso, DEVO ter um orgasmo.

“Se eu não tenho um orgasmo, então eu tenho um problema ?”

Não necessariamente. A questão é que quando ficamos presas a tentativa de chegar a um lugar (orgasmo), perdemos o prazer no meio do caminho. Precisamos aproveitá-lo, nos conhecer, saber o que é bom ou não e tudo isso é processo. É um processo não conhecido por muitas, já que temos uma passado tão repressor.
E olhe, não se engane, sou totalmente a favor do orgasmo. Só não deveríamos nos preocupar tanto com ele, já que o caminho pode ser tão prazeroso quanto a consequência.

Para comemorar esse dia e celebrar a pré-venda do livro 69 poemas e alguns ensaios, nós da Oficina, juntinho com a editora Jandaíra estamos preparando uma comemoração para você, querid@ leitor@ que está em busca de prazer. Teremos uma live para comemorar a pré-venda da antologia “69 poemas e alguns ensaios”, que teve apoio curatorial das @mulheresqueescrevem.
Lizandra Magon, Raquel Menezes, Seane Melo e a terapeuta sexual Mariana Perdigão vão bater um papo sobre poesia e gozo. E quem estiver assistindo, vai concorrer a uma surpresinha que preparamos em parceria com o @horadaaventura.sexshop.
Vai perder? Acho que nao né… Entre aqui para assistir 💜

Falando em 69 poemas e alguns ensaios… a antologia erótica já está disponível para pré-venda no nosso site, diretamente nesse link.

Mariana Perdigão é graduada em Psicologia pela PUC- Rio, com formação e especialização em Terapia Cognitivo- Comportamental. Formada em terapia cognitiva-sexual.
Instagram: @vinculos.tcc
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“A amizade é um amor que nunca morre”

O título deste texto pegamos emprestado de Mario Quintana. Amizade é dessas coisas bonitas, que guardamos na memória. Todo mundo tem amigo. Um melhor amigo. Muitos amigos. Amigos do bar ou amigo que a qualquer hora vai te atender. O amigo que fica tão feliz pelo seu sucesso como se o seu sucesso fosse o dele. Amigo que puxa a orelha com amor. Amigo que quando se vai é dor certeira. Amigo é bom que podemos ter dois, três. Cinco! “Eu quero ter um milhão de amigos” diria a canção.

Na literatura temos muitas amizades, como a de Sancho Pança e Dom Quixote, apesar dos pesares a de Bentinho e Escobar. E os autores também têm outros autores como amigos, como é o caso de Cecilia Meireles e Mário de Andrade ou Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

O Dia do Amigo é uma data proposta para celebrar a amizade entre as pessoas. No Brasil, Uruguai, Argentina e Moçambique a data mais difundida para esta celebração é 20 de julho, aniversário da chegada do homem a lua. Em 27 de abril de 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu convidar todos os países membros a celebrarem o Dia Internacional da Amizade em 30 de julho.” Sabia disso?

Pensando nessa data tão especial, a Oficina Raquel decidiu que, por aqui, um dia não basta e teremos o mês do amigo. Para comemorar, elaboramos 5 kits para vários gostos: autoria feminina, política, literatura portuguesa, infanto-juvenil e LGBTQIA+. Além disso, temos o vale-desconto AMIGODOLIVRO que oferece desconto de 20% nas compras acima de 60 reais. Bom né? Dá pra comprar pra você e pro seu amigo.

E não para por aí… Temos também nosso concurso cultural. Para participar você precisa curtir nosso post, repostar nas suas redes e escrever sobre amizade. Confere as regras em nosso instagram: @oficinaeditora.

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Antropoceno, Gaia e Ecofeminismo

Conexão entre o cuidado e a natureza: os mesmos adjetivos causadores da violência
contra os corpos femininos também levam às mazelas ambientais.

O Antropoceno corresponde a uma nova era inaugurada como marco temporal geológico, como diz o químico Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel. As ações humanas na depredação da natureza fazem da espécie Homo sapiens uma força geofísica capaz de alterar as condições biotermodinâmicas do Planeta, na acidificação dos mananciais hídricos, nas mudanças climáticas e na redução da biodiversidade.

O prefixo Antropo relaciona-se às atividades do homem. Porém, não se engane. Ainda que trocasse o termo “homem” por “humanidade”, estaria longe de ser preciso. Não são todas as nações e povos do mundo que exploram a terra da mesma forma, ou melhor, não é todo
padrão de vida humana. Termos como “humanidade”, “nações”, “povos” podem dar a falsa ideia de igualdade homogênea no trato com a natureza.

A tentativa de dominação e de desenfreado explorar do meio ambiente como se fosse um recurso à disposição humana é a exata causa dos problemas ambientais. Os agentes que mais contribuem para o desmantelamento da natureza não são aqueles que irão senti-la de plano.
As desigualdades de sexo, raça, gênero e poder aquisitivo evidenciam um verdadeiro separatismo entre quem ocasiona e quem sofre os efeitos da Era do Antropoceno.

Tendo esse aspecto em mente, outra crítica contundente sobre a Era do Antropoceno reside na colocação da humanidade como sujeita preponderante em uma narrativa na qual se dissocia da natureza, fazendo-a de simples objeto. Em verdade, em verdade, te digo: a presença humana é um pequeno fragmento da narrativa do Planeta Terra, muito anterior ao surgimento de nossa espécie. Assim, a Hipótese de Gaia aquilata e complementa a ideia do Antropoceno.

Teoria pensada a muitas mãos, a Hipótese de Gaia tem no ambientalista James Lovelock e na bióloga Lynn Margulis as principais referências. Em palavras diretas, a separação entre mundo natural e mundo cultural do ser humano não existe, pois toda a existência, seja ela orgânica ou
não, tenderia a se unificar em homeostase. O Planeta possuiria um controle adaptativo que se defende em retroalimentação para o equilíbrio. A espécie que ameaça é eliminada.

Ou seja, os seres humanos – muito mais uns do que outros – têm cavado a cova de sua espécie ao tentar dominar a natureza, sem se reconhecer enquanto uma parte de um todo ambiental, na falsa expectativa de sermos mais importantes do que de fato somos. Obviamente parte da população mundial com mais recursos econômicos pode demorar a sentir os problemas ocasionados. Mas todas as pessoas irão presenciar os desastres.

E o ecofeminismo nisso tudo? Propõe soluções harmônicas ao indicar os valores tipicamente atribuídos ao feminino como o caminho para a nossa coexistência na Terra. O cuidado, enquanto parâmetro ético replicável por qualquer ser humano, é a ferramenta eficaz para nossa vida no Planeta, a Casa Comum. Por meio da retomada de antigas práticas em consonância com novas técnicas é possível enxergar um futuro que honre no presente o seu passado. A agroecologia, o conhecimento das plantas, os bioabsorventes, os biocosméticos e as formas de compostagem são alguns exemplos.

A chave principal para o entendimento ecofeminista diz que a cultura mais bem valorada pela nossa sociedade é assentada em valores patriarcais que privilegiam ações tipicamente associadas ao masculino, tais como, dominação, exploração, tomada de força, império do
poder sobre a natureza.

Vanessa Lemgruber é mestra em direito, advogada, mediadora jurídica e autora do livro Guia
Ecofeminista: mulheres, direito, ecologia (Ape’Ku).
Acompanhe Vanessa pelo instagram @ecofeminist.lab