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Entrevistando Leonardo Neto

Tudo começou com um projeto financiado pelo Catarse. Com o objetivo de fazer o leitor entender um pouco mais sobre a história do mercado editorial brasileiro, e consequentemente, um pouco da história do país. Leonardo Neto, editor do Publishnews, elaborou um livro que perfilasse editores que foram, ainda são e futuramente serão importantes ao longo dessa trajetória. Assim surgiu o livro 100 nomes da edição no Brasil, mas os detalhes você confere na entrevista que Léo nos concedeu.

Acompanhe:

Oficina: Leo, é um grande prazer ter você como realizador desse projeto conosco, aqui na Oficina Raquel. Conta aqui pros nossos leitores, quem é Leonardo Neto.
Leonardo: Bom… Leonardo Neto é um cara que nasceu no interior do Brasil e carrega isso como uma de suas coisas definidoras. Nasci em Goiânia. Lá, me fiz gente, jornalista e humanista por primazia. Aos 25 anos, resolvi me aventurar e vim parar em São Paulo. Aqui, atuei por muitos anos como assessor de imprensa de uma série de coisas na área da Cultura até conhecer Carlo Carrenho que me convidou, em 2014, para capitanear o PublishNews. Ali fiz amigos, conheci (e me apaixonei) mais sobre o mercado dos livros. Isso tudo me levou à Oficina Raquel.

Oficina: 100 nomes da edição no Brasil é um projeto daqueles que se encaixa no ditado “recordar é viver”. Como foram as conversas iniciais e as trocas de ideias para começar a materializar essa obra?
Leonardo: A ideia foi totalmente da Raquel Menezes, orgulhosamente a minha editora. Ela percebeu que havia uma lacuna no registro do mercado editorial brasileiro e achou que eu daria conta de escrever algo para preencher esse buraco. Quando ela me chamou, de pronto, me lembrei de uma conversa que tinha tido anos antes com Paulo Rocco a respeito disso. Topei na hora.

Oficina: Foi um processo bem laborioso e com um resultado excepcional. Conta pra gente: como foi, pra você, esse processo de pesquisa e produção?
Leonardo: Você tem toda razão. Foi muito trabalhoso! Muito mais difícil do que eu poderia supor. Passei a valorizar ainda mais o escritor depois dessa! Bom… escrever se tornou parte importante do meu dia. Escrevo diariamente. Mas, para escrever o livro, tive que reaprender. A disciplina – que muitas vezes me faltou – é fundamental! Para os perfis, realizei entrevistas, quando possível. Quando não, recorri a jornais de época (um salve importante aos acervos dos principais veículos de comunicação!), livros e trabalhos acadêmicos. Deixava a Raquel maluca porque muitas vezes começava a escrever e deixava “maturando” pra ver se era aquilo mesmo… Não raro reescrevi perfis… No fim saiu algo que tem me dado orgulho e isso, pra mim, importa muito.

Oficina: Sabemos que tem bastante gente que fez história no mercado editorial brasileiro, porém é necessário dar mais ênfase em alguns em detrimento de outros. Como foi fazer essa seleção minuciosa?
Leonardo: Não foi fácil. Ouvi muita gente para compor a lista. A cada entrevista, apareciam nomes que eu precisava avaliar se entrariam ou não no rol dos 100. Toda lista pressupõe uma limitação. O livro não vai conseguir dar conta de todas as pessoas que foram fundamentais para a indústria, mas eu tenho certeza de que há uma pluralidade e uma tentativa de mostrar o quanto o mercado editorial é diverso. Busquei não deixar temáticas de fora, indo além dos editores de obras gerais. Uma outra tentativa foi balancear o número de homens e mulheres. Historicamente, foi um mercado dominado por homens. Isso tem mudado radicalmente! E o livro mostra isso. As figuras masculinas dominam a primeira parte do livro – onde estão os editores históricos. Do meio pro fim, aparecem as mulheres e elas têm conquistado, felizmente, mais espaço.

Oficina: Agora é hora de se jogar: o que você diz pras pessoas que ainda não compraram o seu livro?
Leonardo: Olha! Se você acompanha o mercado do livro ou simplesmente tem curiosidade sobre os bastidores dessa indústria, você pode se interessar por 100 nomes da edição no Brasil. Compre e depois me diga o que você achou! <3

Agradecemos imensamente à Casa Projetos Literários, Book Market, LabPub, Julito Ibrahim, Câmara Brasileira do Livro, Sextante, NESPE e a cada um dos nossos apoiadores:

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Leonardo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Goiás e pós graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Depois de uma carreira de mais de 15 anos em comunicação corporativa e assessoria de imprensa na área Cultural, ele assumiu, em 2014, como editor-chefe do PublishNews, o maior portal de informações e de notícias sobre o mercado editorial brasileiro. Desde então, esteve na cobertura de importantes eventos como as feiras do Livro de Frankfurt, de Londres, de Sharjah e de Buenos Aires. Em 2016 foi convidado pelo governo alemão para compor uma missão de editores brasileiros naquele país e, em 2019, foi eleito um dos três melhores jornalistas no mundo na cobertura do mercado editorial pela Feira do Livro de Londres e pela UK Publishers Association.
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O Brasil que lê

Em todo o Brasil é possível encontrar iniciativas que buscam reconstruir os caminhos perdidos pela falta ou ineficiência de uma educação de qualidade e inclusiva, que garanta sustentabilidade cultural e crítica aos seus cidadãos. Em escolas, bibliotecas de acesso público, associações de moradores, praças, igrejas e outros tantos espaços promove-se a leitura através de projetos que se mantém pela insistência daqueles que acreditam que a leitura é um direito e pode estar na base da transformação que esse país precisa.

O Brasil que Lê é uma pesquisa que reúne em parceria o Instituto Itaú Cultural, o Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e a JCastilho Consultoria para uma ação de mapeamento e análise de projetos de formação de leitores e mediadores em todos os estados brasileiros. O objetivo é dar visibilidade a ações que estão (re)construindo o tecido social brasileiro através da leitura e da cultura, resgatando histórias e vidas, compartilhando conhecimento e apoiando decisivamente o estabelecimento de novos patamares para a formação continuada de leitores no país.

A perspectiva é que a pesquisa recolha projetos de leitura e apresente, além de um mapeamento histórico, geográfico e social dessas ações, um levantamento sobre práticas, perfis de mediadores e uso de tecnologias de informação e comunicação em promoção de leitura. Para a captação dos dados dos projetos será utilizado um questionário virtual cujo link será divulgado nas redes sociais das instituições envolvidas e em contatos diretos com promotores de leitura. Quem realizar ou conhecer algum trabalho deve se inscrever e obter um selo de participação.

Os diferentes nichos de informação apurados pelo trabalho serão fundamentais para a compreensão do que é feito para promover a leitura em nosso país e podem apontar possibilidades e demandas que orientem futuras ações e investimentos. Os resultados dessa pesquisa serão publicados e divulgados conjuntamente pelas instituições parcerias. Buscar conhecer é o primeiro passo.

Para participar da pesquisa, você deve acessar este formulário. O projeto conta muito com a ajuda de todos!

Fonte: O Brasil que lê

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Cultura da paz: uma resenha por Ana Haddad

Ao percorremos as páginas de Cultura da Paz somos surpreendidos com mais uma obra de Marco Lucchesi. Este que, acima de tudo, prima não somente pela erudição, mas, inclusive, pela solidariedade profunda, própria daqueles que possuem brilho silencioso, irradiante. Em outras palavras: sente dores autênticas diante dos inúmeros dramas humanos que subtraem o direito da existência plena. Um poeta que exala satisfação, generosíssima, ao ressaltar valores de escritores, pensadores, artistas, refugiados, presidiários. Sem fronteiras geográficas, históricas, hierárquicas e temporais.

Cultura da Paz pode e deveria ser lido como uma verdadeira Educação Estética. Os textos de Marco Lucchesi são exigentes. Exigentíssimos. Reforçam, inclusive, uma posição importante de nosso mestre Deleuze, ou seja, de que a verdadeira literatura não se faz apenas com intenções literárias. Solicitam do leitor
um repertório não somente voltado para a literatura. Mas para a pintura, história, geografia, ciências em geral, filosofia, música, política, teologia.

Marco Lucchesi desafia, uma vez mais, a capacidade de confronto das habituais insuficiências que sempre inquietaram os que realmente pensam. Ao terminar a leitura dos ensaios, contidos neste livro, de imediato, sentimos a necessidade de retomá-los. Talvez de forma descontínua. Cada ensaio é uma síntese
em alto grau de excelência. Cada texto remete o leitor a um diálogo com a tradição e valores que atualmente, mais do que nunca, deveriam ser repensados e avaliados por todos os seres humanos que ainda acreditam na capacidade da admiração, indignação e, sobretudo, no fascínio dos verdadeiros textos com alto grau de poeticidade.

E, finalmente, observe-se um projeto editorial de altíssima qualidade. Capa, ilustrações e outros detalhes importantes que dão à obra a seriedade que ela merece.

Cultura da Paz já está em pré-venda.

Garanta o seu.

Ana Maria Haddad Baptista possui pós-doutoramento em História da Ciência,
Universidade de Lisboa e pela PUC/SP onde se aposentou. Mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC/SP). Possui vasta experiência no magistério do Ensino Superior. Diversas publicações no Brasil e exterior. Atualmente trabalha como pesquisadora e professora nos programas de pós graduação stricto sensu Educação da Universidade Nove de Julho de São Paulo.