Publicado em Deixe um comentário

Oficina do livro na Flip

Com a crise estabelecida pelo novo coronavírus e a necessidade real de distanciamento social, os grandes eventos literários sentiram-se impelidos a migrar para a internet. Com a Flip não foi diferente, se antes Paraty era o território que desde 2003 a abriga, no contexto da pandemia ele incorpora uma dimensão virtual importante.

Nesse contexto de Flip Virtual, a Oficina Raquel apresenta a Oficina do Livro. Com a curadoria de Leonardo Neto, editor-chefe da Publishnews e autor do livro 100 nomes da Edição no Brasil e de nossa editora Raquel Menezes, Oficina do Livro falará do mercado editorial para o público em geral. As mesas do evento serão realizadas virtualmente nos dias 08 e 09 de fevereiro através das redes sociais da Flip, como Youtube e Facebook.

A Oficina do livro tem apoio do Escritório do Livro da Embaixada da França no Brasil e da MVB (Metabooks).

8/fev

14h Jornalismo literário
Maria Fernanda Rodrigues

Taty Leite

Richard Gaitet 

Mediação: Leonardo Neto

16h Agenciamento literário: os bastidores da aquisição de direitos autorais
Luciana Villas-Boas

Cassiano Elek Machado

Barbara Edun

Mediação: Leonardo Neto


18h Livros pra ter, Livros pra ler: o livro como um objeto de desejo
Daniel Lameira

Cecilia Arbolave

Esther Szac 

Mediação: Raquel Menezes


 9 /fev
14h O livro nas ruas: as livrarias ocupam as cidades
Rui Campos

Monica Carvalho

Anaïs Massola

Mediação: Leonardo Neto


16h Como os quadrinhos leem o mundo
Maria Clara Carneiro

Aline Zouvi

Fabien Toulmé (a confirmar)

Mediação: Leonardo Neto

18h Criação: do original ao livro pronto
Felipe Castilho

Vagner Amaro

Raquel Matsushita

Mediação: Raquel Menezes

Publicado em Deixe um comentário

Oh, margem! Reinventa os rios!

Oh, margem! Reinventa os Rios!
Cidinha da Silva
Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2020.
126 p.

Não tinha começado a ler propriamente o texto de Cidinha quando meu olho encheu d’água pela primeira vez, a gente engasga já na carta que abre o livro, de Maria Valéria Rezende. A autora menciona ferida ainda aberta, o assassinato de G. Floyd, embora nenhuma dessas feridas cicatrizem de fato. Como pode a menção a um fato tão conhecido e explorado ainda emocionar? Trata-se de identificação, com o desespero, desesperança, com o abatimento do luto sim, mas, acima de tudo, com a força e esperança de uma sentença “não voltaremos mais para trás!”.


E esse ir pra frente, a reboque muitas vezes, acontece quando escutamos nossas histórias por nós mesmos, quanto dizemos o mundo tal como o vivemos e nos parece. Esse ir pra frente acontece por meio desta notável tecitura de histórias de Cidinha da Silva.


São vinte e dois textos divididos ao longo das quatro partes do rio, são histórias do cotidiano, em que por vezes é fácil nos identificarmos, como em “As latinhas”. A escrita é ágil, o olhar arguto, e por meio dele, mesmo nessas histórias por nós conhecidas, é possível perceber as tensões, os incômodos.


Conhecemos as personagens, por vezes somos essas personagens e ainda assim Cidinha consegue desvelar algo de nós, como se nossa realidade fosse construída por camadas e ela as levantasse e revelasse sua constituição.


Por vezes os temas são pesados: desigualdade, racismo, morte. Não há como ficar imune, há momentos em que o estômago revira, o sangue ferve e a indignação nos atravessa. É o caso de “Thriller”, a pancada que abre o livro, mas também de “Vocês não estão me ouvindo?” e especialmente de “O lugar de fala de quem se pergunta: em que inimaginável mundo novo vivemos?”, pelo qual nutro acalentada revolta pela distorção de discursos, pela tentativa de deslegitimar e assim calar falas, um modo covarde de matar o ser no mundo do outro.


Contudo, é preciso ressaltar que isso é só parte do livro, e aqui está o que o torna admirável: homens negros e mulheres negras não se resumem à dor e ao embate com o racismo cotidiano. Aqui temos textos deliciosos, memórias atravessadas de poesia como “Construção” e “A benzedeira”, ou engraçados como “Acabou, Norma! Acabou”, mas nenhum representa melhor esse “vício” de tomar a autoria negra como algo monotemático do que o texto “Solidariedade”, é maravilhoso.


Destaque ainda para o afluente deste livro, personalidades, criadores negros, que acabam por reforçar exatamente a pluralidade, diversidade de talentos. A surpresa de encontrar menção à Maria Tereza Moreira de Jesus, que tempos atrás, depois de eu ler alguns de seus poemas, tive que procurar muito para encontrar uma única foto da autora, ou de Evaldo Braga, que virou assunto aqui em casa, e ainda o texto sobre Simonal, que nos faz querer conversar mais com Cidinha, e lhe pedir: fale mais sobre isso. Embora esse seja o efeito geral do livro, querer mais dele.

_______

Esta resenha foi escrita pelo perfil @as_letras_negras no Instagram

Publicado em Deixe um comentário

Uma interpretação da poesia contemporânea

Ler livros acadêmicos costuma ser tarefa de especialistas, mas não é assim que tem que ser. Isso porque o livro é um espaço social comunitário. Qualquer pessoa letrada pode ler Platão ou Marie Curie, mesmo que não seja filósofa ou química. E não apenas por curiosidade, pois um professor que lê ciência, uma família que lê livros ou uma sociedade que valoriza a leitura, mais do que informadas, são pessoas que estão sempre perto de mudar as coisas, transformar vidas, deslocar modos de ver e de viver. 

A editora Oficina Raquel oferece um catálogo cuidadoso com a formação de leitores e se destaca pelo diálogo entre Brasil e Portugal. Livros de tamanho acessível e coleções com ensaios de intervenção convivem com uma bibliografia especializada de referência. Além disso, livros organizados com diversos autores, quando são resultado de uma organização efetiva, são bons exemplos de como conhecimento não se produz sozinho. 

Quando publiquei A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea pela editora Oficina Raquel, percebi que lançar um livro significava ocupar um espaço que extrapola as livrarias. O evento de lançamento, o catálogo da editora, as leituras que serão feitas, tudo isso é fruto de uma parceria entre autores e editores, numa relação profissional atravessada pela paixão pelas letras e também pelo desafio que as pequenas editoras têm de se manter como empresas. 

Uma editora não é apenas uma empresa, é um projeto cultural e, por ser um projeto cultural, imagina uma sociedade diferente. Posso dizer com alegria que as ideias sobre poesia e ensino de literatura que tenho compartilhado, como autor, com a editora Oficina Raquel participam de um projeto de cultura e sociedade que me interessa, um projeto marcado pela valorização da leitura, pelo diálogo cultural e pela democratização do livro.

Luiz Guilherme Barbosa é professor de português e literaturas no Colégio Pedro II. Publicou as plaquetes de poemas Pacote de maldades (7letras, 2019) e Postagens e antipostagens (kza1, 2018), e o livro A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea (Oficina Raquel, 2014).
Publicado em Deixe um comentário

Entrevistando Leonardo Neto

Tudo começou com um projeto financiado pelo Catarse. Com o objetivo de fazer o leitor entender um pouco mais sobre a história do mercado editorial brasileiro, e consequentemente, um pouco da história do país. Leonardo Neto, editor do Publishnews, elaborou um livro que perfilasse editores que foram, ainda são e futuramente serão importantes ao longo dessa trajetória. Assim surgiu o livro 100 nomes da edição no Brasil, mas os detalhes você confere na entrevista que Léo nos concedeu.

Acompanhe:

Oficina: Leo, é um grande prazer ter você como realizador desse projeto conosco, aqui na Oficina Raquel. Conta aqui pros nossos leitores, quem é Leonardo Neto.
Leonardo: Bom… Leonardo Neto é um cara que nasceu no interior do Brasil e carrega isso como uma de suas coisas definidoras. Nasci em Goiânia. Lá, me fiz gente, jornalista e humanista por primazia. Aos 25 anos, resolvi me aventurar e vim parar em São Paulo. Aqui, atuei por muitos anos como assessor de imprensa de uma série de coisas na área da Cultura até conhecer Carlo Carrenho que me convidou, em 2014, para capitanear o PublishNews. Ali fiz amigos, conheci (e me apaixonei) mais sobre o mercado dos livros. Isso tudo me levou à Oficina Raquel.

Oficina: 100 nomes da edição no Brasil é um projeto daqueles que se encaixa no ditado “recordar é viver”. Como foram as conversas iniciais e as trocas de ideias para começar a materializar essa obra?
Leonardo: A ideia foi totalmente da Raquel Menezes, orgulhosamente a minha editora. Ela percebeu que havia uma lacuna no registro do mercado editorial brasileiro e achou que eu daria conta de escrever algo para preencher esse buraco. Quando ela me chamou, de pronto, me lembrei de uma conversa que tinha tido anos antes com Paulo Rocco a respeito disso. Topei na hora.

Oficina: Foi um processo bem laborioso e com um resultado excepcional. Conta pra gente: como foi, pra você, esse processo de pesquisa e produção?
Leonardo: Você tem toda razão. Foi muito trabalhoso! Muito mais difícil do que eu poderia supor. Passei a valorizar ainda mais o escritor depois dessa! Bom… escrever se tornou parte importante do meu dia. Escrevo diariamente. Mas, para escrever o livro, tive que reaprender. A disciplina – que muitas vezes me faltou – é fundamental! Para os perfis, realizei entrevistas, quando possível. Quando não, recorri a jornais de época (um salve importante aos acervos dos principais veículos de comunicação!), livros e trabalhos acadêmicos. Deixava a Raquel maluca porque muitas vezes começava a escrever e deixava “maturando” pra ver se era aquilo mesmo… Não raro reescrevi perfis… No fim saiu algo que tem me dado orgulho e isso, pra mim, importa muito.

Oficina: Sabemos que tem bastante gente que fez história no mercado editorial brasileiro, porém é necessário dar mais ênfase em alguns em detrimento de outros. Como foi fazer essa seleção minuciosa?
Leonardo: Não foi fácil. Ouvi muita gente para compor a lista. A cada entrevista, apareciam nomes que eu precisava avaliar se entrariam ou não no rol dos 100. Toda lista pressupõe uma limitação. O livro não vai conseguir dar conta de todas as pessoas que foram fundamentais para a indústria, mas eu tenho certeza de que há uma pluralidade e uma tentativa de mostrar o quanto o mercado editorial é diverso. Busquei não deixar temáticas de fora, indo além dos editores de obras gerais. Uma outra tentativa foi balancear o número de homens e mulheres. Historicamente, foi um mercado dominado por homens. Isso tem mudado radicalmente! E o livro mostra isso. As figuras masculinas dominam a primeira parte do livro – onde estão os editores históricos. Do meio pro fim, aparecem as mulheres e elas têm conquistado, felizmente, mais espaço.

Oficina: Agora é hora de se jogar: o que você diz pras pessoas que ainda não compraram o seu livro?
Leonardo: Olha! Se você acompanha o mercado do livro ou simplesmente tem curiosidade sobre os bastidores dessa indústria, você pode se interessar por 100 nomes da edição no Brasil. Compre e depois me diga o que você achou! <3

Agradecemos imensamente à Casa Projetos Literários, Book Market, LabPub, Julito Ibrahim, Câmara Brasileira do Livro, Sextante, NESPE e a cada um dos nossos apoiadores:

Adilson Bonalde de Souza Filho
Adriane Kiperman
Adriano Augusto Gomes Filho
Adriano Fromer Piazzi
Alessandra Johanna Gelman Ruiz
Alessandra Porro
Alessandro Thomé
Alfredo Weiszflog
Aline Naomi Sassaki
Amanda Mendes
Amir Piedade
Ana Cristina Alves de Paula
Ana Luiza Bassanetto
Ana Maria Santeiro
Andre Argolo
Andre Canelas Palme
André Franciosi
André Guimarães Teles
André Luis Souza
André Oliveira
André Picolo Pereira
Andreia Martinz Monteiro
Aníbal Francisco Alves Bragança
Anselmo Jose Bortolin
Antonio Bitiati
Antonio César Landi Júnior
Arthur Viani
Barbara Parente
Beatrice Medrado
Beatriz Grellet
Beatriz Hildebrand Comin Alves de Oliveira
Beatriz Silva Pereira dos Santos
Benjamin Magalhães
Bernadete Warmling
Beta Abreu
Camila Cabete
Camila Perlingeiro
Camila Villalba
Carina Matuda
Carlos Cassemiro Marques
Carolina Riedel Diomelli
Caroline da Cruz Alias
Cassia Carrenho
Cassius Medauar
Celso de Campos Jr
Cesar Americo Barreira Cardoso
Christian Botelho Borges
Christiane Ferreira Marques Neto de Bessa
Clara Állyegra Lyra Petter
Clara Monnerat
Claudio Gandelman
Clederson Matheus Rien Perez
Corina Campos
Cristian Fernandes
Cristina F F Fernandes Warth
Dani Costa Russo
Daniel Daudt Sagebin
Daniel Pinsky
Daniel Prestes da Silva
Daniel Rodrigues Aurélio
Daniel Souza
Daniela Kfuri
David Fernando Levon Alves
Diogo Souza Santos
Edemar Viotto Jr
Editora de Livros Cobogó
Editora Perspectiva Ltda
Editora Piu Ltda
Eduardo Cunha
Eliane Carvalho
Eliane Hatherly Paz
Elisabeth Paiva Silva
Elke Kropotoff
Everson Borges Lopes
Fabiane Verardi
Felipe Castilho de Lacerda
Felipe Rodrigues Sanches
Fernanda Marcondes de Oliveira Dantas
Fernanda Scherer
Fernando Nuno Rodrigues
Flávia Rosa
Flavia Togni do Lago
FLIMA Festa Literária Internacional da Mantiqueira
Gabriel Felipe Jacomel
Gabriel Tavares Florentino
Gabriela Dias
Gabriela Vescovi
Gilsandro Vieira Sales
Giovana Bomentre Hajjar
Giovanna Cianelli
Gisela Zincone
Gisele Ferreira
Gislene Lemos
Global Editora e Distribuidora Ltda
Graco Aurélio Câmara De Melo Viana
Graziella Beting
Guarda Chuva Edições
Gustavo Lembert da Cunha
Haroldo Brito
Helber Alves de Oliveira
Henderson Fürst
Henrique Farinha
Humberto Mendes
Iara Vidal Pereira de Souza
Inovação Distribuidora de Livros
Irene Ernest Dias
Isa Oliveira Poet’Isa
Isa Pessoa
Isabel Siqueira Travancas
Isatir Bottin filho
Iuri Pavan
Izabel Lima dos Santos
Izildinha Rodrigues
Jaime Mendes
Janda Montenegro
Jean Carlo Soares Russio
Jiro Takahashi
João Batista Neto
Jonas Gomes
Jonatas Oliveira
José Castilho Marques Neto
José de Souza Muniz Júnior
Joubert Caetano Amaral
Juliana Brandt Alt Vasconcelos
Juliana Di Fiori Pondian
Juliana Paula Almeida Cordeiro
Julio Cesar Augusto Sesma Da Cruz
Julio Cesar de Melo Silveira
Julio Cesar Domingas da Silva Ibrahim
Karina de Pino
Larissa Caldin
Leandro Muller Lima
Leandro Vasconcelos Thomaz
Leear Martiniano De Sousa
Liana Pérola Schipper
Linda Teresinha Saturi
Lívio Meireles Capeleto
Lourdes Silva Dias
Lu Magalhães
Luana de Souza Mercurio
Lucas Josijuan
Luciana de Melo Souza
Luciana Figueiredo
Luciana Grings
Luciana Thomé
Luis Cesar De Sousa
Luiz Fernando Cardoso
Maíra Oliveira
Maju Alves
Malzoni Correa da Costa
Manoel Lauand
Mansur Bassit
Manuel Messias da Silva Filho
Marcelo Duvidovich
Marcelo Gioia
Marcelo Jose Ruv Lemes
Marcelo Mineiro
Marcelo Pelegia
Marcio Coelho
Márcio Jeronymo Rodrigues da Costa
Marcus Watson Netto de Oliveira
Maria Carolina Borin
Mariana Bueno
Mariana Medeiros Massarani
Mariana Rolier
Mariana Warth
Marilia Barcellos
Marilu Amaral Mario Sampaio
Marina Avila Pierini ME
Marina Falcão
Marleth Silva
Marly de Castilho
Matheus Viana Zuca
Maurício de Albuquerque Melo Júnior
Mauricio Simões
Maxim Behar
Mila Bartilotti
Monique D’Orazio
Morales Perlingeiro Editora e Assessoria Ltda
Natália Costa Custódio
Nelson Naspitz
Nora Ferreira
Oran Takezo Kalil
Orlando Rafael Prado
Ovídio Poli Junior
Paula Fábrio
Paulo De Almeida Lima
Paulo Ferracioli Silva
Paulo Otávio Barreiros Gravina
Paulo Roffé
Pedro Almeida
Ra Barros
Rafael Kalebe Ribeiro Ferreira
Rafaela Pechansky
Rebeca Rossi Lacerda
Renata Alessandra Bueno
Renata Nakano
Ricardo Camps
Ricardo Costa
Ricardo Garrido
Ricardo Lelis
Ricardo Santhiago
Richardt Rocha Feller
Roberta Vaiano
Roberta Vêncio
Roberto Aguiar Jr.
Roberto Alberto Zsoldos
Rodrigo Pereira Lopes de Faria e Silva
Rosana Trevisan
Rosane Nunes De Oliveira Pessanha
Sâmela Roberta Hidalgo
Sandra Reimao
Sergio Reis Alves
Sergio Ricardo Alves
Sintia Mattar
Talita Facchini
Tatiana Cukier
Tatiana Vieira Allegro
Telma Kobori
Thiago A L
Úrsula Antunes
Valéria Pergentino
Vanda V. Castro
Vera Esaú
Victor Almeida
Waldiney M Azevedo
Waldir da Silveira
Wilson Antonio Rossato Júnior
Yúri Koch Mattos
Yuri Oliver

100 nomes da edição no Brasil já está disponível para compra no nosso site.

Clique aqui e adquira o seu!

Leonardo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Goiás e pós graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Depois de uma carreira de mais de 15 anos em comunicação corporativa e assessoria de imprensa na área Cultural, ele assumiu, em 2014, como editor-chefe do PublishNews, o maior portal de informações e de notícias sobre o mercado editorial brasileiro. Desde então, esteve na cobertura de importantes eventos como as feiras do Livro de Frankfurt, de Londres, de Sharjah e de Buenos Aires. Em 2016 foi convidado pelo governo alemão para compor uma missão de editores brasileiros naquele país e, em 2019, foi eleito um dos três melhores jornalistas no mundo na cobertura do mercado editorial pela Feira do Livro de Londres e pela UK Publishers Association.
Publicado em Deixe um comentário

O Brasil que lê

Em todo o Brasil é possível encontrar iniciativas que buscam reconstruir os caminhos perdidos pela falta ou ineficiência de uma educação de qualidade e inclusiva, que garanta sustentabilidade cultural e crítica aos seus cidadãos. Em escolas, bibliotecas de acesso público, associações de moradores, praças, igrejas e outros tantos espaços promove-se a leitura através de projetos que se mantém pela insistência daqueles que acreditam que a leitura é um direito e pode estar na base da transformação que esse país precisa.

O Brasil que Lê é uma pesquisa que reúne em parceria o Instituto Itaú Cultural, o Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e a JCastilho Consultoria para uma ação de mapeamento e análise de projetos de formação de leitores e mediadores em todos os estados brasileiros. O objetivo é dar visibilidade a ações que estão (re)construindo o tecido social brasileiro através da leitura e da cultura, resgatando histórias e vidas, compartilhando conhecimento e apoiando decisivamente o estabelecimento de novos patamares para a formação continuada de leitores no país.

A perspectiva é que a pesquisa recolha projetos de leitura e apresente, além de um mapeamento histórico, geográfico e social dessas ações, um levantamento sobre práticas, perfis de mediadores e uso de tecnologias de informação e comunicação em promoção de leitura. Para a captação dos dados dos projetos será utilizado um questionário virtual cujo link será divulgado nas redes sociais das instituições envolvidas e em contatos diretos com promotores de leitura. Quem realizar ou conhecer algum trabalho deve se inscrever e obter um selo de participação.

Os diferentes nichos de informação apurados pelo trabalho serão fundamentais para a compreensão do que é feito para promover a leitura em nosso país e podem apontar possibilidades e demandas que orientem futuras ações e investimentos. Os resultados dessa pesquisa serão publicados e divulgados conjuntamente pelas instituições parcerias. Buscar conhecer é o primeiro passo.

Para participar da pesquisa, você deve acessar este formulário. O projeto conta muito com a ajuda de todos!

Fonte: O Brasil que lê

Publicado em Deixe um comentário

Cultura da paz: uma resenha por Ana Haddad

Ao percorremos as páginas de Cultura da Paz somos surpreendidos com mais uma obra de Marco Lucchesi. Este que, acima de tudo, prima não somente pela erudição, mas, inclusive, pela solidariedade profunda, própria daqueles que possuem brilho silencioso, irradiante. Em outras palavras: sente dores autênticas diante dos inúmeros dramas humanos que subtraem o direito da existência plena. Um poeta que exala satisfação, generosíssima, ao ressaltar valores de escritores, pensadores, artistas, refugiados, presidiários. Sem fronteiras geográficas, históricas, hierárquicas e temporais.

Cultura da Paz pode e deveria ser lido como uma verdadeira Educação Estética. Os textos de Marco Lucchesi são exigentes. Exigentíssimos. Reforçam, inclusive, uma posição importante de nosso mestre Deleuze, ou seja, de que a verdadeira literatura não se faz apenas com intenções literárias. Solicitam do leitor
um repertório não somente voltado para a literatura. Mas para a pintura, história, geografia, ciências em geral, filosofia, música, política, teologia.

Marco Lucchesi desafia, uma vez mais, a capacidade de confronto das habituais insuficiências que sempre inquietaram os que realmente pensam. Ao terminar a leitura dos ensaios, contidos neste livro, de imediato, sentimos a necessidade de retomá-los. Talvez de forma descontínua. Cada ensaio é uma síntese
em alto grau de excelência. Cada texto remete o leitor a um diálogo com a tradição e valores que atualmente, mais do que nunca, deveriam ser repensados e avaliados por todos os seres humanos que ainda acreditam na capacidade da admiração, indignação e, sobretudo, no fascínio dos verdadeiros textos com alto grau de poeticidade.

E, finalmente, observe-se um projeto editorial de altíssima qualidade. Capa, ilustrações e outros detalhes importantes que dão à obra a seriedade que ela merece.

Cultura da Paz já está em pré-venda.

Garanta o seu.

Ana Maria Haddad Baptista possui pós-doutoramento em História da Ciência,
Universidade de Lisboa e pela PUC/SP onde se aposentou. Mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC/SP). Possui vasta experiência no magistério do Ensino Superior. Diversas publicações no Brasil e exterior. Atualmente trabalha como pesquisadora e professora nos programas de pós graduação stricto sensu Educação da Universidade Nove de Julho de São Paulo.
Publicado em 3 comentários

Quarenta em Quarentena– 40 visões de um mundo em pandemia

Quarenta em quarentena é um projeto ambicioso: em plena pandemia de COVID-19, a editora Oficina Raquel convidou 40 autores e autoras para realizarem a transposição artística da temática que se tornou dominante na vida de toda a humanidade em 2020. Escritas no calor da hora, mas em estágios diferentes da pandemia, como é possível notar a partir da leitura das histórias, as produções abordam a finitude e a tristeza, mas também a esperança e o afeto.

O volume começa pelo Fim – paradoxo simbólico da tragédia humanitária vivida –, que dá nome à primeira parte do livro. Godofredo de Oliveira Neto, Gonçalo M. Tavares, Jeferson Tenório, Jorge Marques, Marcos Pasche, Marisa Oliveira, Pedro Eiras e Thiago Carbonel tratam de fins não apenas físicos, mas simbólicos. Em outras palavras, os autores, em seus textos, abordam não apenas a morte de pessoas, mas também de sonhos, crenças, ilusões.

A segunda parte do livro, denominada Medo, trata do sentimento que, segundo Drummond, “esteriliza os abraços”. O verso do poeta mineiro, quase premonitório para a vida em 2020, dá a tônica dos belos textos engendrados por Beatriz Roscoe, Cidinha da Silva, Divanize Carbonieri, José Roberto Torero,
Luciano Nascimento e Luiz Guilherme Barbosa.

Se a vida moderna fez-se marcada pela celeridade do tempo, mais do que nunca, em 2020, o espaço é a tônica da existência humana. Afinal de contas, a quarentena faz os indivíduos repensarem a sua relação não apenas com seus pares, mas também com o mundo em que habitam. A Solidão causada pelo confinamento é o tema da terceira parte do livro, que traz produções primorosas de Adriana Armony, Anna Maria Mello, Dani Balbi, Flávia Six, Júlio Emílio Braz, Leonardo Neto, Luis Maffei, Luiz Roberto Guedes, Rogério Athayde, Silviano Santiago e Silvia Barros.

A quarta parte do livro, denominada Amor, explicita o fato de que o sentimento, em todas as suas variações – seja o amor filial, fraternal, sexual – não se deixa podar pelos limites impostos pela pandemia. Entram em cena as primorosas histórias de André Argolo, Camila Perlingeiro, ElikaTakimoto, João Pedro Fagerlande, Monique Brito, Patrícia Nogueira, Ramon Ramos e Sonia Rosa.

O livro termina com o Começo, fato que, definitivamente torna sua organização marcada pelo otimismo. Talvez, assim, toda a tragédia vivida nos traga começos simbólicos e variados. É com esse tom de esperança que finaliza o volume os textos de Alex Castro, Anna Claudia Ramos, Antônio Schimeneck, Henrique Rodrigues e Luciany Aparecida.

O volume, iniciado e encerrado por incursões poéticas, respectivamente escritas por Maria Teresa Horta e Leonardo Tonus, reforça uma marca indelével da Oficina Raquel: o diálogo entre autores do Brasil e de Portugal. É, portanto, extremamente eficaz e proveitoso que as palavras emitidas de bordas diferentes do Atlântico encontrem-se aqui.

Quarenta em Quarentena– 40 visões de um mundo em pandemia se insere na tradição de grandes antologias da literatura. Ainda que não deixe de ser o registro de um momento histórico conturbado da história humana, é, antes de tudo, obra na qual o leitor poderá ler textos que misturam, na exata medida, a excelência da palavra artística com emoção, criatividade e sensibilidade.

O e-book está disponível gratuitamente em todas as plataformas.

Garanta já o seu aqui.

Publicado em Deixe um comentário

Oh, margem! Reinventa os rios! Livro de água em movimento!

Por Cidinha da Silva

“Dia desses escrevi que a Oficina Raquel é a nona editora de mulher pela qual publico. Uma alegria. E um livro muito querido, Oh, margem! Reinventa os rios!, esgotado desde 2018.

A edição da Oficina Raquel contará com dois contos e três crônicas novas, a saber: “Thriller” (originalmente publicado na Alemanha), “Querubim Pretim”, “O dia que o livro foi traje de gala”, “Musashi e Spider” e “O lugar de fala de quem se pergunta em que inimaginável mundo novo vivemos?”. A grande novidade, entretanto, é a organização dos textos como o curso de um rio, nascente, afluente, leito e foz, proposta pela querida editora Raquel Menezes. Adorei a sugestão e a acatei de pronto. Raquel acrescentou um fluxo novo à narrativa do rio, digo, do livro.

Para apresentá-lo convidei o escritor Paulo Scott que há alguns anos havia me dito que gostava muito da obra, aproveito para agradecer de público sua disponibilidade. A amiga e escritora Maria Valéria Rezende também escreveu sua palavra para o livro e é mais um agradecimento que acrescento.

A capa é um presente, arte do premiado  escultor mineiro, Jorge dos Anjos, um homem do ferro. Telefonei ao Jorge e, ressabiada, solicitei a cessão de uma imagem do seu acervo. Ele me atendeu como a uma velha amiga, como se não nos falássemos há 20 anos, embora acompanhemos com admiração nossas trajetórias. Gracias, Jorge e também à Irena que nos atendeu de maneira tão solícita.

O livro é dedicado a duas pessoas muito caras a mim, um filho e uma filha de Ogum, como Jorge dos Anjos. “Oh, Margem” é de Ricardo Aleixo, poeta mineiro-virginiano que completou 60 idades em setembro. É também de Sueli Carneiro, paulista-canceriana de ascendência mineira que completou 70 idades em junho, ambos neste ano da graça da pandemia de Covid-19. Ao homenageá-los na fase mais madura da vida, reverencio por oposição, a maioria nossa, da gente negra, que morre cedo, a quem é negada a dádiva de envelhecer com saúde.

Para terminar, conto a vocês que numa live com colegas escritores no mês de agosto, quando perguntada sobre os projetos futuros, mencionei o lançamento de duas segundas edições de livros ainda no segundo semestre, o colega mediador, surpreso indagou: mesmo na quarentena? Eu disse sim, um sim seco, porque não daria bola para a descrença contida na pergunta. De certo ele não conhece a assertividade da Oficina Raquel, eu conheço. “

Oh, Margem! Reinventa os rios! entrará em pré-venda no site da Oficina Raquel dia 6 de outubro e será finalizada dia 20 do mesmo mês. Os livros comprados na pré-venda serão autografados e enviados com um brinde.

Se prepare para garantir o seu!

Cidinha da Silva (MG) é escritora e editora na Kuanza Produções (www.kuanzaproducoes.com.br). Publicou 17 livros distribuídos pelos gêneros crônica, conto, ensaio, dramaturgia e infantil/juvenil. “Um Exu em Nova York”, recebeu o Prêmio da Biblioteca Nacional (contos, 2019) e “Explosão Feminista” (ensaio), do qual é co-autora, foi finalista do Jabuti , e recebeu o Prêmio Rio Literatura 4ª edição, ambos em 2019. Têm publicações em alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano.  É curadora e âncora do programa-web Almanaque Exuzilhar (Youtube) @cidinhadasilvaescritora  

Publicado em Deixe um comentário

Marco Lucchesi no catálogo da Oficina Raquel

Em novembro de 2020, teremos um lançamento especial de Marco Lucchesi, o atual presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1963 e ocupa a cadeira de no.15.

É autor, entre outros, dos romances O bibliotecário do imperador e O Dom do Crime. Domínios da Insônia reúne, em grande parte, seu legado poético. Como tradutor, verteu para o português obras dos italianos Primo Levi e Umberto Eco, do persa Rûmî, do russo Khlebnikov e do tcheco Reiner Maria Rilke. Professor titular de Literatura Comparada da UFRJ. Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Tibiscus e Aurel Vlaicu da Romênia. Palestrou em diversas universidades ao redor do mundo. Seus livros já foram traduzidos para mais de dez idiomas.

Marco preparou um texto especial falando um pouquinho mais sobre seu futuro trabalho com a Oficina Raquel, chamado Cultura da Paz:

Cultura da paz reúne ensaios escritos em forma de prosa poética, aberto para o diálogo e a alteridade, em contraposição ao momento atual, marcado pela ausência de empatia e intolerância. A literatura como centro do debate, a pintura e a música. Mas também o lugar da cidadania, um capítulo amplo, dedicado às visitas do autor às prisões, e em outras paisagens adversas mundo afora. O livro é uma mensagem de paz numa garrafa lançada em mar aberto.”

Continuem acompanhando as novidades do lançamento de Cultura da Paz pelas nossas redes sociais.

Marco Lucchesi é escritor, poeta, ensaísta, professor e tradutor, graduou-se em História pela Universidade Federal Fluminense, obteve os títulos de mestre e doutor em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fez pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Universidade de Colônia, na Alemanha. Transita por mais de 20 línguas.

Publicado em 3 comentários

Teolinda, Alice e outras mulheres

Depois de A cidade de Ulisses, Teolinda Gersão, uma das mais importantes contistas e romancistas da literatura portuguesa contemporânea, lançou em julho um novo livro pela Oficina Raquel. Trata-se de Alice e outras mulheres, uma antologia de contos organizada por Nilma Lacerda. Batemos um papinho com a autora sobre sua experiência conosco e sua paixão pela literatura, confira a seguir:

Foi um feliz acaso a editora Oficina Raquel ter-me descoberto. Adoro trabalhar com pessoas dinâmicas, apaixonadas por literatura, e de uma geração mais nova.

Mais do que livros, literatura é uma excelente definição da Oficina Raquel. Raquel Menezes, que a dirige, – (e não, não foi ela que a “baptizou” com o seu nome) – tem um curso universitário em Letras e uma cultura com provas dadas. Como todas as empresas, precisa obviamente de vender livros para sobreviver,  mas não é o lucro que a move, é muito mais do que isso: O desejo de contribuir para o progresso da mentalidade e da cultura de quem lê e fala português, onde quer que esteja, país, geografia, cultura ou continente.

Também nesse desígnio nos encontramos: o que me move a escrever não são prémios, dinheiro ou celebridade, quero infinitamente mais do que isso: Ser livre de tentar mudar alguma coisa no mundo, por mínima que seja. Nada me é mais gratificante do que  testemunhos que recebo de leitores –  ao longo de quatro décadas são naturalmente numerosos, e chegam de todos os quadrantes.

Não é raro escreverem, por exemplo, sobre um ou outro livro: mudou a minha vida, tencionava seguir outro curso, mas decidi estudar literatura , é o livro que eu gostava de ter escrito, foi escrito para mim, é a história da minha vida, é a história que eu gostava de ter vivido, fez-me repensar o mundo, marcou-me, inquietou-me, provocou-me, levou-me a olhar a vida e as pessoas de outro modo, percebi que a literatura é uma forma de liberdade e de luta, etc..

Perante o estado actual do mundo, tenho consciência de que a minha geração falhou em aspectos absolutamente essenciais. Se eu puder contribuir, mesmo na ínfima escala de pessoa a pessoa, para transmitir isso às gerações mais jovens, como incentivo e apelo a que não desistam onde nós falhámos, valerá a pena ter dedicado a minha vida à escrita.

Amanhã, dia 19 de setembro, a Universidade Católica de Petropólis promoverá o lançamento on-line do livro “Alice e outras mulheres” pelo Youtube, organizado por Nilma Lacerda e escrito por Teolinda Gersão. Venha prestigiar! O link para participar do evento encontra-se aqui

Teolinda Gersão estudou nas Universidades de Coimbra, Tubingen e Berlim, foi leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim e professora catedrática de Literatura Alemã e de Literatura Comparada na Universidade Nova de Lisboa.
Viveu na Alemanha e no Brasil (São Paulo) e passou algum tempo em Moçambique. Foi escritora residente na Universidade da California, em Berkeley.
É autora de 17 livros de ficção, e está traduzida em 20 países.
Recebeu alguns dos mais importantes prémios literários portugueses, entre os quais por duas vezes o Prêmio de Ficção do Pen Clube, o Grande Prêmio de Romance e Novela da APE, o Grande Prêmio do Conto Camilo Castelo Branco, o Prêmio Vergílio Ferreira, o Prêmio Fernando Namora, e fez parte da short list do Prêmio Europeu de Romance Aristeion.
Em 2018 recebeu o Albert Marquis Lifetime Achievement Award.