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A Oficina Raquel existe desde 2006, e, desde então, vem se afirmando como uma editora independente, comprometida especialmente com literatura e pensamento. Damos muita atenção à dimensão política do pensar, sem que, com isso, assumamos qualquer proselitismo; somos, de qualquer modo, democratas com muita convicção, e é nisso que se baseia nossa ética mais profunda. Transitamos, portanto, pelas veredas por que transitamos: a literatura e o pensamento, com suas muitas, imensas, largas derivas.


Últimas postagens do blog

  • Entrevistando Leonardo Neto

    Tudo começou com um projeto financiado pelo Catarse. Com o objetivo de fazer o leitor entender um pouco mais sobre a história do mercado editorial brasileiro, e consequentemente, um pouco da história do país. Leonardo Neto, editor do Publishnews, elaborou um livro que perfilasse editores que foram, ainda são e futuramente serão importantes ao longo dessa trajetória. Assim surgiu o livro 100 nomes da edição no Brasil, mas os detalhes você confere na entrevista que Léo nos concedeu.

    Acompanhe:

    Oficina: Leo, é um grande prazer ter você como realizador desse projeto conosco, aqui na Oficina Raquel. Conta aqui pros nossos leitores, quem é Leonardo Neto.
    Leonardo: Bom… Leonardo Neto é um cara que nasceu no interior do Brasil e carrega isso como uma de suas coisas definidoras. Nasci em Goiânia. Lá, me fiz gente, jornalista e humanista por primazia. Aos 25 anos, resolvi me aventurar e vim parar em São Paulo. Aqui, atuei por muitos anos como assessor de imprensa de uma série de coisas na área da Cultura até conhecer Carlo Carrenho que me convidou, em 2014, para capitanear o PublishNews. Ali fiz amigos, conheci (e me apaixonei) mais sobre o mercado dos livros. Isso tudo me levou à Oficina Raquel.

    Oficina: 100 nomes da edição no Brasil é um projeto daqueles que se encaixa no ditado “recordar é viver”. Como foram as conversas iniciais e as trocas de ideias para começar a materializar essa obra?
    Leonardo: A ideia foi totalmente da Raquel Menezes, orgulhosamente a minha editora. Ela percebeu que havia uma lacuna no registro do mercado editorial brasileiro e achou que eu daria conta de escrever algo para preencher esse buraco. Quando ela me chamou, de pronto, me lembrei de uma conversa que tinha tido anos antes com Paulo Rocco a respeito disso. Topei na hora.

    Oficina: Foi um processo bem laborioso e com um resultado excepcional. Conta pra gente: como foi, pra você, esse processo de pesquisa e produção?
    Leonardo: Você tem toda razão. Foi muito trabalhoso! Muito mais difícil do que eu poderia supor. Passei a valorizar ainda mais o escritor depois dessa! Bom… escrever se tornou parte importante do meu dia. Escrevo diariamente. Mas, para escrever o livro, tive que reaprender. A disciplina – que muitas vezes me faltou – é fundamental! Para os perfis, realizei entrevistas, quando possível. Quando não, recorri a jornais de época (um salve importante aos acervos dos principais veículos de comunicação!), livros e trabalhos acadêmicos. Deixava a Raquel maluca porque muitas vezes começava a escrever e deixava “maturando” pra ver se era aquilo mesmo… Não raro reescrevi perfis… No fim saiu algo que tem me dado orgulho e isso, pra mim, importa muito.

    Oficina: Sabemos que tem bastante gente que fez história no mercado editorial brasileiro, porém é necessário dar mais ênfase em alguns em detrimento de outros. Como foi fazer essa seleção minuciosa?
    Leonardo: Não foi fácil. Ouvi muita gente para compor a lista. A cada entrevista, apareciam nomes que eu precisava avaliar se entrariam ou não no rol dos 100. Toda lista pressupõe uma limitação. O livro não vai conseguir dar conta de todas as pessoas que foram fundamentais para a indústria, mas eu tenho certeza de que há uma pluralidade e uma tentativa de mostrar o quanto o mercado editorial é diverso. Busquei não deixar temáticas de fora, indo além dos editores de obras gerais. Uma outra tentativa foi balancear o número de homens e mulheres. Historicamente, foi um mercado dominado por homens. Isso tem mudado radicalmente! E o livro mostra isso. As figuras masculinas dominam a primeira parte do livro – onde estão os editores históricos. Do meio pro fim, aparecem as mulheres e elas têm conquistado, felizmente, mais espaço.

    Oficina: Agora é hora de se jogar: o que você diz pras pessoas que ainda não compraram o seu livro?
    Leonardo: Olha! Se você acompanha o mercado do livro ou simplesmente tem curiosidade sobre os bastidores dessa indústria, você pode se interessar por 100 nomes da edição no Brasil. Compre e depois me diga o que você achou! <3

    Agradecemos imensamente à Casa Projetos Literários, Book Market, LabPub, Julito Ibrahim, Câmara Brasileira do Livro, Sextante, NESPE e a cada um dos nossos apoiadores:

    Adilson Bonalde de Souza Filho
    Adriane Kiperman
    Adriano Augusto Gomes Filho
    Adriano Fromer Piazzi
    Alessandra Johanna Gelman Ruiz
    Alessandra Porro
    Alessandro Thomé
    Alfredo Weiszflog
    Aline Naomi Sassaki
    Amanda Mendes
    Amir Piedade
    Ana Cristina Alves de Paula
    Ana Luiza Bassanetto
    Ana Maria Santeiro
    Andre Argolo
    Andre Canelas Palme
    André Franciosi
    André Guimarães Teles
    André Luis Souza
    André Oliveira
    André Picolo Pereira
    Andreia Martinz Monteiro
    Aníbal Francisco Alves Bragança
    Anselmo Jose Bortolin
    Antonio Bitiati
    Antonio César Landi Júnior
    Arthur Viani
    Barbara Parente
    Beatrice Medrado
    Beatriz Grellet
    Beatriz Hildebrand Comin Alves de Oliveira
    Beatriz Silva Pereira dos Santos
    Benjamin Magalhães
    Bernadete Warmling
    Beta Abreu
    Camila Cabete
    Camila Perlingeiro
    Camila Villalba
    Carina Matuda
    Carlos Cassemiro Marques
    Carolina Riedel Diomelli
    Caroline da Cruz Alias
    Cassia Carrenho
    Cassius Medauar
    Celso de Campos Jr
    Cesar Americo Barreira Cardoso
    Christian Botelho Borges
    Christiane Ferreira Marques Neto de Bessa
    Clara Állyegra Lyra Petter
    Clara Monnerat
    Claudio Gandelman
    Clederson Matheus Rien Perez
    Corina Campos
    Cristian Fernandes
    Cristina F F Fernandes Warth
    Dani Costa Russo
    Daniel Daudt Sagebin
    Daniel Pinsky
    Daniel Prestes da Silva
    Daniel Rodrigues Aurélio
    Daniel Souza
    Daniela Kfuri
    David Fernando Levon Alves
    Diogo Souza Santos
    Edemar Viotto Jr
    Editora de Livros Cobogó
    Editora Perspectiva Ltda
    Editora Piu Ltda
    Eduardo Cunha
    Eliane Carvalho
    Eliane Hatherly Paz
    Elisabeth Paiva Silva
    Elke Kropotoff
    Everson Borges Lopes
    Fabiane Verardi
    Felipe Castilho de Lacerda
    Felipe Rodrigues Sanches
    Fernanda Marcondes de Oliveira Dantas
    Fernanda Scherer
    Fernando Nuno Rodrigues
    Flávia Rosa
    Flavia Togni do Lago
    FLIMA Festa Literária Internacional da Mantiqueira
    Gabriel Felipe Jacomel
    Gabriel Tavares Florentino
    Gabriela Dias
    Gabriela Vescovi
    Gilsandro Vieira Sales
    Giovana Bomentre Hajjar
    Giovanna Cianelli
    Gisela Zincone
    Gisele Ferreira
    Gislene Lemos
    Global Editora e Distribuidora Ltda
    Graco Aurélio Câmara De Melo Viana
    Graziella Beting
    Guarda Chuva Edições
    Gustavo Lembert da Cunha
    Haroldo Brito
    Helber Alves de Oliveira
    Henderson Fürst
    Henrique Farinha
    Humberto Mendes
    Iara Vidal Pereira de Souza
    Inovação Distribuidora de Livros
    Irene Ernest Dias
    Isa Oliveira Poet’Isa
    Isa Pessoa
    Isabel Siqueira Travancas
    Isatir Bottin filho
    Iuri Pavan
    Izabel Lima dos Santos
    Izildinha Rodrigues
    Jaime Mendes
    Janda Montenegro
    Jean Carlo Soares Russio
    Jiro Takahashi
    João Batista Neto
    Jonas Gomes
    Jonatas Oliveira
    José Castilho Marques Neto
    José de Souza Muniz Júnior
    Joubert Caetano Amaral
    Juliana Brandt Alt Vasconcelos
    Juliana Di Fiori Pondian
    Juliana Paula Almeida Cordeiro
    Julio Cesar Augusto Sesma Da Cruz
    Julio Cesar de Melo Silveira
    Julio Cesar Domingas da Silva Ibrahim
    Karina de Pino
    Larissa Caldin
    Leandro Muller Lima
    Leandro Vasconcelos Thomaz
    Leear Martiniano De Sousa
    Liana Pérola Schipper
    Linda Teresinha Saturi
    Lívio Meireles Capeleto
    Lourdes Silva Dias
    Lu Magalhães
    Luana de Souza Mercurio
    Lucas Josijuan
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    Luciana Figueiredo
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    Luciana Thomé
    Luis Cesar De Sousa
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    Marcelo Pelegia
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    Marina Avila Pierini ME
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    Morales Perlingeiro Editora e Assessoria Ltda
    Natália Costa Custódio
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    Rafael Kalebe Ribeiro Ferreira
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    Renata Nakano
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    Ricardo Costa
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    Ricardo Lelis
    Ricardo Santhiago
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    Roberta Vaiano
    Roberta Vêncio
    Roberto Aguiar Jr.
    Roberto Alberto Zsoldos
    Rodrigo Pereira Lopes de Faria e Silva
    Rosana Trevisan
    Rosane Nunes De Oliveira Pessanha
    Sâmela Roberta Hidalgo
    Sandra Reimao
    Sergio Reis Alves
    Sergio Ricardo Alves
    Sintia Mattar
    Talita Facchini
    Tatiana Cukier
    Tatiana Vieira Allegro
    Telma Kobori
    Thiago A L
    Úrsula Antunes
    Valéria Pergentino
    Vanda V. Castro
    Vera Esaú
    Victor Almeida
    Waldiney M Azevedo
    Waldir da Silveira
    Wilson Antonio Rossato Júnior
    Yúri Koch Mattos
    Yuri Oliver

    100 nomes da edição no Brasil já está disponível para compra no nosso site.

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    Leonardo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Goiás e pós graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Depois de uma carreira de mais de 15 anos em comunicação corporativa e assessoria de imprensa na área Cultural, ele assumiu, em 2014, como editor-chefe do PublishNews, o maior portal de informações e de notícias sobre o mercado editorial brasileiro. Desde então, esteve na cobertura de importantes eventos como as feiras do Livro de Frankfurt, de Londres, de Sharjah e de Buenos Aires. Em 2016 foi convidado pelo governo alemão para compor uma missão de editores brasileiros naquele país e, em 2019, foi eleito um dos três melhores jornalistas no mundo na cobertura do mercado editorial pela Feira do Livro de Londres e pela UK Publishers Association.
  • O Brasil que lê

    Em todo o Brasil é possível encontrar iniciativas que buscam reconstruir os caminhos perdidos pela falta ou ineficiência de uma educação de qualidade e inclusiva, que garanta sustentabilidade cultural e crítica aos seus cidadãos. Em escolas, bibliotecas de acesso público, associações de moradores, praças, igrejas e outros tantos espaços promove-se a leitura através de projetos que se mantém pela insistência daqueles que acreditam que a leitura é um direito e pode estar na base da transformação que esse país precisa.

    O Brasil que Lê é uma pesquisa que reúne em parceria o Instituto Itaú Cultural, o Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e a JCastilho Consultoria para uma ação de mapeamento e análise de projetos de formação de leitores e mediadores em todos os estados brasileiros. O objetivo é dar visibilidade a ações que estão (re)construindo o tecido social brasileiro através da leitura e da cultura, resgatando histórias e vidas, compartilhando conhecimento e apoiando decisivamente o estabelecimento de novos patamares para a formação continuada de leitores no país.

    A perspectiva é que a pesquisa recolha projetos de leitura e apresente, além de um mapeamento histórico, geográfico e social dessas ações, um levantamento sobre práticas, perfis de mediadores e uso de tecnologias de informação e comunicação em promoção de leitura. Para a captação dos dados dos projetos será utilizado um questionário virtual cujo link será divulgado nas redes sociais das instituições envolvidas e em contatos diretos com promotores de leitura. Quem realizar ou conhecer algum trabalho deve se inscrever e obter um selo de participação.

    Os diferentes nichos de informação apurados pelo trabalho serão fundamentais para a compreensão do que é feito para promover a leitura em nosso país e podem apontar possibilidades e demandas que orientem futuras ações e investimentos. Os resultados dessa pesquisa serão publicados e divulgados conjuntamente pelas instituições parcerias. Buscar conhecer é o primeiro passo.

    Para participar da pesquisa, você deve acessar este formulário. O projeto conta muito com a ajuda de todos!

    Fonte: O Brasil que lê

  • Cultura da paz: uma resenha por Ana Haddad

    Ao percorremos as páginas de Cultura da Paz somos surpreendidos com mais uma obra de Marco Lucchesi. Este que, acima de tudo, prima não somente pela erudição, mas, inclusive, pela solidariedade profunda, própria daqueles que possuem brilho silencioso, irradiante. Em outras palavras: sente dores autênticas diante dos inúmeros dramas humanos que subtraem o direito da existência plena. Um poeta que exala satisfação, generosíssima, ao ressaltar valores de escritores, pensadores, artistas, refugiados, presidiários. Sem fronteiras geográficas, históricas, hierárquicas e temporais.

    Cultura da Paz pode e deveria ser lido como uma verdadeira Educação Estética. Os textos de Marco Lucchesi são exigentes. Exigentíssimos. Reforçam, inclusive, uma posição importante de nosso mestre Deleuze, ou seja, de que a verdadeira literatura não se faz apenas com intenções literárias. Solicitam do leitor
    um repertório não somente voltado para a literatura. Mas para a pintura, história, geografia, ciências em geral, filosofia, música, política, teologia.

    Marco Lucchesi desafia, uma vez mais, a capacidade de confronto das habituais insuficiências que sempre inquietaram os que realmente pensam. Ao terminar a leitura dos ensaios, contidos neste livro, de imediato, sentimos a necessidade de retomá-los. Talvez de forma descontínua. Cada ensaio é uma síntese
    em alto grau de excelência. Cada texto remete o leitor a um diálogo com a tradição e valores que atualmente, mais do que nunca, deveriam ser repensados e avaliados por todos os seres humanos que ainda acreditam na capacidade da admiração, indignação e, sobretudo, no fascínio dos verdadeiros textos com alto grau de poeticidade.

    E, finalmente, observe-se um projeto editorial de altíssima qualidade. Capa, ilustrações e outros detalhes importantes que dão à obra a seriedade que ela merece.

    Cultura da Paz já está em pré-venda.

    Garanta o seu.

    Ana Maria Haddad Baptista possui pós-doutoramento em História da Ciência,
    Universidade de Lisboa e pela PUC/SP onde se aposentou. Mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC/SP). Possui vasta experiência no magistério do Ensino Superior. Diversas publicações no Brasil e exterior. Atualmente trabalha como pesquisadora e professora nos programas de pós graduação stricto sensu Educação da Universidade Nove de Julho de São Paulo.
  • Quarenta em Quarentena– 40 visões de um mundo em pandemia

    Quarenta em quarentena é um projeto ambicioso: em plena pandemia de COVID-19, a editora Oficina Raquel convidou 40 autores e autoras para realizarem a transposição artística da temática que se tornou dominante na vida de toda a humanidade em 2020. Escritas no calor da hora, mas em estágios diferentes da pandemia, como é possível notar a partir da leitura das histórias, as produções abordam a finitude e a tristeza, mas também a esperança e o afeto.

    O volume começa pelo Fim – paradoxo simbólico da tragédia humanitária vivida –, que dá nome à primeira parte do livro. Godofredo de Oliveira Neto, Gonçalo M. Tavares, Jeferson Tenório, Jorge Marques, Marcos Pasche, Marisa Oliveira, Pedro Eiras e Thiago Carbonel tratam de fins não apenas físicos, mas simbólicos. Em outras palavras, os autores, em seus textos, abordam não apenas a morte de pessoas, mas também de sonhos, crenças, ilusões.

    A segunda parte do livro, denominada Medo, trata do sentimento que, segundo Drummond, “esteriliza os abraços”. O verso do poeta mineiro, quase premonitório para a vida em 2020, dá a tônica dos belos textos engendrados por Beatriz Roscoe, Cidinha da Silva, Divanize Carbonieri, José Roberto Torero,
    Luciano Nascimento e Luiz Guilherme Barbosa.

    Se a vida moderna fez-se marcada pela celeridade do tempo, mais do que nunca, em 2020, o espaço é a tônica da existência humana. Afinal de contas, a quarentena faz os indivíduos repensarem a sua relação não apenas com seus pares, mas também com o mundo em que habitam. A Solidão causada pelo confinamento é o tema da terceira parte do livro, que traz produções primorosas de Adriana Armony, Anna Maria Mello, Dani Balbi, Flávia Six, Júlio Emílio Braz, Leonardo Neto, Luis Maffei, Luiz Roberto Guedes, Rogério Athayde, Silviano Santiago e Silvia Barros.

    A quarta parte do livro, denominada Amor, explicita o fato de que o sentimento, em todas as suas variações – seja o amor filial, fraternal, sexual – não se deixa podar pelos limites impostos pela pandemia. Entram em cena as primorosas histórias de André Argolo, Camila Perlingeiro, ElikaTakimoto, João Pedro Fagerlande, Monique Brito, Patrícia Nogueira, Ramon Ramos e Sonia Rosa.

    O livro termina com o Começo, fato que, definitivamente torna sua organização marcada pelo otimismo. Talvez, assim, toda a tragédia vivida nos traga começos simbólicos e variados. É com esse tom de esperança que finaliza o volume os textos de Alex Castro, Anna Claudia Ramos, Antônio Schimeneck, Henrique Rodrigues e Luciany Aparecida.

    O volume, iniciado e encerrado por incursões poéticas, respectivamente escritas por Maria Teresa Horta e Leonardo Tonus, reforça uma marca indelével da Oficina Raquel: o diálogo entre autores do Brasil e de Portugal. É, portanto, extremamente eficaz e proveitoso que as palavras emitidas de bordas diferentes do Atlântico encontrem-se aqui.

    Quarenta em Quarentena– 40 visões de um mundo em pandemia se insere na tradição de grandes antologias da literatura. Ainda que não deixe de ser o registro de um momento histórico conturbado da história humana, é, antes de tudo, obra na qual o leitor poderá ler textos que misturam, na exata medida, a excelência da palavra artística com emoção, criatividade e sensibilidade.

    O e-book está disponível gratuitamente em todas as plataformas.

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  • Oh, margem! Reinventa os rios! Livro de água em movimento!

    Por Cidinha da Silva

    “Dia desses escrevi que a Oficina Raquel é a nona editora de mulher pela qual publico. Uma alegria. E um livro muito querido, Oh, margem! Reinventa os rios!, esgotado desde 2018.

    A edição da Oficina Raquel contará com dois contos e três crônicas novas, a saber: “Thriller” (originalmente publicado na Alemanha), “Querubim Pretim”, “O dia que o livro foi traje de gala”, “Musashi e Spider” e “O lugar de fala de quem se pergunta em que inimaginável mundo novo vivemos?”. A grande novidade, entretanto, é a organização dos textos como o curso de um rio, nascente, afluente, leito e foz, proposta pela querida editora Raquel Menezes. Adorei a sugestão e a acatei de pronto. Raquel acrescentou um fluxo novo à narrativa do rio, digo, do livro.

    Para apresentá-lo convidei o escritor Paulo Scott que há alguns anos havia me dito que gostava muito da obra, aproveito para agradecer de público sua disponibilidade. A amiga e escritora Maria Valéria Rezende também escreveu sua palavra para o livro e é mais um agradecimento que acrescento.

    A capa é um presente, arte do premiado  escultor mineiro, Jorge dos Anjos, um homem do ferro. Telefonei ao Jorge e, ressabiada, solicitei a cessão de uma imagem do seu acervo. Ele me atendeu como a uma velha amiga, como se não nos falássemos há 20 anos, embora acompanhemos com admiração nossas trajetórias. Gracias, Jorge e também à Irena que nos atendeu de maneira tão solícita.

    O livro é dedicado a duas pessoas muito caras a mim, um filho e uma filha de Ogum, como Jorge dos Anjos. “Oh, Margem” é de Ricardo Aleixo, poeta mineiro-virginiano que completou 60 idades em setembro. É também de Sueli Carneiro, paulista-canceriana de ascendência mineira que completou 70 idades em junho, ambos neste ano da graça da pandemia de Covid-19. Ao homenageá-los na fase mais madura da vida, reverencio por oposição, a maioria nossa, da gente negra, que morre cedo, a quem é negada a dádiva de envelhecer com saúde.

    Para terminar, conto a vocês que numa live com colegas escritores no mês de agosto, quando perguntada sobre os projetos futuros, mencionei o lançamento de duas segundas edições de livros ainda no segundo semestre, o colega mediador, surpreso indagou: mesmo na quarentena? Eu disse sim, um sim seco, porque não daria bola para a descrença contida na pergunta. De certo ele não conhece a assertividade da Oficina Raquel, eu conheço. “

    Oh, Margem! Reinventa os rios! entrará em pré-venda no site da Oficina Raquel dia 6 de outubro e será finalizada dia 20 do mesmo mês. Os livros comprados na pré-venda serão autografados e enviados com um brinde.

    Se prepare para garantir o seu!

    Cidinha da Silva (MG) é escritora e editora na Kuanza Produções (www.kuanzaproducoes.com.br). Publicou 17 livros distribuídos pelos gêneros crônica, conto, ensaio, dramaturgia e infantil/juvenil. “Um Exu em Nova York”, recebeu o Prêmio da Biblioteca Nacional (contos, 2019) e “Explosão Feminista” (ensaio), do qual é co-autora, foi finalista do Jabuti , e recebeu o Prêmio Rio Literatura 4ª edição, ambos em 2019. Têm publicações em alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano.  É curadora e âncora do programa-web Almanaque Exuzilhar (Youtube) @cidinhadasilvaescritora