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A Oficina Raquel existe desde 2006, e, desde então, vem se afirmando como uma editora independente, comprometida especialmente com literatura e pensamento. Damos muita atenção à dimensão política do pensar, sem que, com isso, assumamos qualquer proselitismo; somos, de qualquer modo, democratas com muita convicção, e é nisso que se baseia nossa ética mais profunda. Transitamos, portanto, pelas veredas por que transitamos: a literatura e o pensamento, com suas muitas, imensas, largas derivas.


Últimas postagens do blog

  • Oh, margem! Reinventa os rios!

    Oh, margem! Reinventa os Rios!
    Cidinha da Silva
    Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2020.
    126 p.

    Não tinha começado a ler propriamente o texto de Cidinha quando meu olho encheu d’água pela primeira vez, a gente engasga já na carta que abre o livro, de Maria Valéria Rezende. A autora menciona ferida ainda aberta, o assassinato de G. Floyd, embora nenhuma dessas feridas cicatrizem de fato. Como pode a menção a um fato tão conhecido e explorado ainda emocionar? Trata-se de identificação, com o desespero, desesperança, com o abatimento do luto sim, mas, acima de tudo, com a força e esperança de uma sentença “não voltaremos mais para trás!”.


    E esse ir pra frente, a reboque muitas vezes, acontece quando escutamos nossas histórias por nós mesmos, quanto dizemos o mundo tal como o vivemos e nos parece. Esse ir pra frente acontece por meio desta notável tecitura de histórias de Cidinha da Silva.


    São vinte e dois textos divididos ao longo das quatro partes do rio, são histórias do cotidiano, em que por vezes é fácil nos identificarmos, como em “As latinhas”. A escrita é ágil, o olhar arguto, e por meio dele, mesmo nessas histórias por nós conhecidas, é possível perceber as tensões, os incômodos.


    Conhecemos as personagens, por vezes somos essas personagens e ainda assim Cidinha consegue desvelar algo de nós, como se nossa realidade fosse construída por camadas e ela as levantasse e revelasse sua constituição.


    Por vezes os temas são pesados: desigualdade, racismo, morte. Não há como ficar imune, há momentos em que o estômago revira, o sangue ferve e a indignação nos atravessa. É o caso de “Thriller”, a pancada que abre o livro, mas também de “Vocês não estão me ouvindo?” e especialmente de “O lugar de fala de quem se pergunta: em que inimaginável mundo novo vivemos?”, pelo qual nutro acalentada revolta pela distorção de discursos, pela tentativa de deslegitimar e assim calar falas, um modo covarde de matar o ser no mundo do outro.


    Contudo, é preciso ressaltar que isso é só parte do livro, e aqui está o que o torna admirável: homens negros e mulheres negras não se resumem à dor e ao embate com o racismo cotidiano. Aqui temos textos deliciosos, memórias atravessadas de poesia como “Construção” e “A benzedeira”, ou engraçados como “Acabou, Norma! Acabou”, mas nenhum representa melhor esse “vício” de tomar a autoria negra como algo monotemático do que o texto “Solidariedade”, é maravilhoso.


    Destaque ainda para o afluente deste livro, personalidades, criadores negros, que acabam por reforçar exatamente a pluralidade, diversidade de talentos. A surpresa de encontrar menção à Maria Tereza Moreira de Jesus, que tempos atrás, depois de eu ler alguns de seus poemas, tive que procurar muito para encontrar uma única foto da autora, ou de Evaldo Braga, que virou assunto aqui em casa, e ainda o texto sobre Simonal, que nos faz querer conversar mais com Cidinha, e lhe pedir: fale mais sobre isso. Embora esse seja o efeito geral do livro, querer mais dele.

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    Esta resenha foi escrita pelo perfil @as_letras_negras no Instagram

  • Uma interpretação da poesia contemporânea

    Ler livros acadêmicos costuma ser tarefa de especialistas, mas não é assim que tem que ser. Isso porque o livro é um espaço social comunitário. Qualquer pessoa letrada pode ler Platão ou Marie Curie, mesmo que não seja filósofa ou química. E não apenas por curiosidade, pois um professor que lê ciência, uma família que lê livros ou uma sociedade que valoriza a leitura, mais do que informadas, são pessoas que estão sempre perto de mudar as coisas, transformar vidas, deslocar modos de ver e de viver. 

    A editora Oficina Raquel oferece um catálogo cuidadoso com a formação de leitores e se destaca pelo diálogo entre Brasil e Portugal. Livros de tamanho acessível e coleções com ensaios de intervenção convivem com uma bibliografia especializada de referência. Além disso, livros organizados com diversos autores, quando são resultado de uma organização efetiva, são bons exemplos de como conhecimento não se produz sozinho. 

    Quando publiquei A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea pela editora Oficina Raquel, percebi que lançar um livro significava ocupar um espaço que extrapola as livrarias. O evento de lançamento, o catálogo da editora, as leituras que serão feitas, tudo isso é fruto de uma parceria entre autores e editores, numa relação profissional atravessada pela paixão pelas letras e também pelo desafio que as pequenas editoras têm de se manter como empresas. 

    Uma editora não é apenas uma empresa, é um projeto cultural e, por ser um projeto cultural, imagina uma sociedade diferente. Posso dizer com alegria que as ideias sobre poesia e ensino de literatura que tenho compartilhado, como autor, com a editora Oficina Raquel participam de um projeto de cultura e sociedade que me interessa, um projeto marcado pela valorização da leitura, pelo diálogo cultural e pela democratização do livro.

    Luiz Guilherme Barbosa é professor de português e literaturas no Colégio Pedro II. Publicou as plaquetes de poemas Pacote de maldades (7letras, 2019) e Postagens e antipostagens (kza1, 2018), e o livro A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea (Oficina Raquel, 2014).
  • Entrevistando Leonardo Neto

    Tudo começou com um projeto financiado pelo Catarse. Com o objetivo de fazer o leitor entender um pouco mais sobre a história do mercado editorial brasileiro, e consequentemente, um pouco da história do país. Leonardo Neto, editor do Publishnews, elaborou um livro que perfilasse editores que foram, ainda são e futuramente serão importantes ao longo dessa trajetória. Assim surgiu o livro 100 nomes da edição no Brasil, mas os detalhes você confere na entrevista que Léo nos concedeu.

    Acompanhe:

    Oficina: Leo, é um grande prazer ter você como realizador desse projeto conosco, aqui na Oficina Raquel. Conta aqui pros nossos leitores, quem é Leonardo Neto.
    Leonardo: Bom… Leonardo Neto é um cara que nasceu no interior do Brasil e carrega isso como uma de suas coisas definidoras. Nasci em Goiânia. Lá, me fiz gente, jornalista e humanista por primazia. Aos 25 anos, resolvi me aventurar e vim parar em São Paulo. Aqui, atuei por muitos anos como assessor de imprensa de uma série de coisas na área da Cultura até conhecer Carlo Carrenho que me convidou, em 2014, para capitanear o PublishNews. Ali fiz amigos, conheci (e me apaixonei) mais sobre o mercado dos livros. Isso tudo me levou à Oficina Raquel.

    Oficina: 100 nomes da edição no Brasil é um projeto daqueles que se encaixa no ditado “recordar é viver”. Como foram as conversas iniciais e as trocas de ideias para começar a materializar essa obra?
    Leonardo: A ideia foi totalmente da Raquel Menezes, orgulhosamente a minha editora. Ela percebeu que havia uma lacuna no registro do mercado editorial brasileiro e achou que eu daria conta de escrever algo para preencher esse buraco. Quando ela me chamou, de pronto, me lembrei de uma conversa que tinha tido anos antes com Paulo Rocco a respeito disso. Topei na hora.

    Oficina: Foi um processo bem laborioso e com um resultado excepcional. Conta pra gente: como foi, pra você, esse processo de pesquisa e produção?
    Leonardo: Você tem toda razão. Foi muito trabalhoso! Muito mais difícil do que eu poderia supor. Passei a valorizar ainda mais o escritor depois dessa! Bom… escrever se tornou parte importante do meu dia. Escrevo diariamente. Mas, para escrever o livro, tive que reaprender. A disciplina – que muitas vezes me faltou – é fundamental! Para os perfis, realizei entrevistas, quando possível. Quando não, recorri a jornais de época (um salve importante aos acervos dos principais veículos de comunicação!), livros e trabalhos acadêmicos. Deixava a Raquel maluca porque muitas vezes começava a escrever e deixava “maturando” pra ver se era aquilo mesmo… Não raro reescrevi perfis… No fim saiu algo que tem me dado orgulho e isso, pra mim, importa muito.

    Oficina: Sabemos que tem bastante gente que fez história no mercado editorial brasileiro, porém é necessário dar mais ênfase em alguns em detrimento de outros. Como foi fazer essa seleção minuciosa?
    Leonardo: Não foi fácil. Ouvi muita gente para compor a lista. A cada entrevista, apareciam nomes que eu precisava avaliar se entrariam ou não no rol dos 100. Toda lista pressupõe uma limitação. O livro não vai conseguir dar conta de todas as pessoas que foram fundamentais para a indústria, mas eu tenho certeza de que há uma pluralidade e uma tentativa de mostrar o quanto o mercado editorial é diverso. Busquei não deixar temáticas de fora, indo além dos editores de obras gerais. Uma outra tentativa foi balancear o número de homens e mulheres. Historicamente, foi um mercado dominado por homens. Isso tem mudado radicalmente! E o livro mostra isso. As figuras masculinas dominam a primeira parte do livro – onde estão os editores históricos. Do meio pro fim, aparecem as mulheres e elas têm conquistado, felizmente, mais espaço.

    Oficina: Agora é hora de se jogar: o que você diz pras pessoas que ainda não compraram o seu livro?
    Leonardo: Olha! Se você acompanha o mercado do livro ou simplesmente tem curiosidade sobre os bastidores dessa indústria, você pode se interessar por 100 nomes da edição no Brasil. Compre e depois me diga o que você achou! <3

    Agradecemos imensamente à Casa Projetos Literários, Book Market, LabPub, Julito Ibrahim, Câmara Brasileira do Livro, Sextante, NESPE e a cada um dos nossos apoiadores:

    Adilson Bonalde de Souza Filho
    Adriane Kiperman
    Adriano Augusto Gomes Filho
    Adriano Fromer Piazzi
    Alessandra Johanna Gelman Ruiz
    Alessandra Porro
    Alessandro Thomé
    Alfredo Weiszflog
    Aline Naomi Sassaki
    Amanda Mendes
    Amir Piedade
    Ana Cristina Alves de Paula
    Ana Luiza Bassanetto
    Ana Maria Santeiro
    Andre Argolo
    Andre Canelas Palme
    André Franciosi
    André Guimarães Teles
    André Luis Souza
    André Oliveira
    André Picolo Pereira
    Andreia Martinz Monteiro
    Aníbal Francisco Alves Bragança
    Anselmo Jose Bortolin
    Antonio Bitiati
    Antonio César Landi Júnior
    Arthur Viani
    Barbara Parente
    Beatrice Medrado
    Beatriz Grellet
    Beatriz Hildebrand Comin Alves de Oliveira
    Beatriz Silva Pereira dos Santos
    Benjamin Magalhães
    Bernadete Warmling
    Beta Abreu
    Camila Cabete
    Camila Perlingeiro
    Camila Villalba
    Carina Matuda
    Carlos Cassemiro Marques
    Carolina Riedel Diomelli
    Caroline da Cruz Alias
    Cassia Carrenho
    Cassius Medauar
    Celso de Campos Jr
    Cesar Americo Barreira Cardoso
    Christian Botelho Borges
    Christiane Ferreira Marques Neto de Bessa
    Clara Állyegra Lyra Petter
    Clara Monnerat
    Claudio Gandelman
    Clederson Matheus Rien Perez
    Corina Campos
    Cristian Fernandes
    Cristina F F Fernandes Warth
    Dani Costa Russo
    Daniel Daudt Sagebin
    Daniel Pinsky
    Daniel Prestes da Silva
    Daniel Rodrigues Aurélio
    Daniel Souza
    Daniela Kfuri
    David Fernando Levon Alves
    Diogo Souza Santos
    Edemar Viotto Jr
    Editora de Livros Cobogó
    Editora Perspectiva Ltda
    Editora Piu Ltda
    Eduardo Cunha
    Eliane Carvalho
    Eliane Hatherly Paz
    Elisabeth Paiva Silva
    Elke Kropotoff
    Everson Borges Lopes
    Fabiane Verardi
    Felipe Castilho de Lacerda
    Felipe Rodrigues Sanches
    Fernanda Marcondes de Oliveira Dantas
    Fernanda Scherer
    Fernando Nuno Rodrigues
    Flávia Rosa
    Flavia Togni do Lago
    FLIMA Festa Literária Internacional da Mantiqueira
    Gabriel Felipe Jacomel
    Gabriel Tavares Florentino
    Gabriela Dias
    Gabriela Vescovi
    Gilsandro Vieira Sales
    Giovana Bomentre Hajjar
    Giovanna Cianelli
    Gisela Zincone
    Gisele Ferreira
    Gislene Lemos
    Global Editora e Distribuidora Ltda
    Graco Aurélio Câmara De Melo Viana
    Graziella Beting
    Guarda Chuva Edições
    Gustavo Lembert da Cunha
    Haroldo Brito
    Helber Alves de Oliveira
    Henderson Fürst
    Henrique Farinha
    Humberto Mendes
    Iara Vidal Pereira de Souza
    Inovação Distribuidora de Livros
    Irene Ernest Dias
    Isa Oliveira Poet’Isa
    Isa Pessoa
    Isabel Siqueira Travancas
    Isatir Bottin filho
    Iuri Pavan
    Izabel Lima dos Santos
    Izildinha Rodrigues
    Jaime Mendes
    Janda Montenegro
    Jean Carlo Soares Russio
    Jiro Takahashi
    João Batista Neto
    Jonas Gomes
    Jonatas Oliveira
    José Castilho Marques Neto
    José de Souza Muniz Júnior
    Joubert Caetano Amaral
    Juliana Brandt Alt Vasconcelos
    Juliana Di Fiori Pondian
    Juliana Paula Almeida Cordeiro
    Julio Cesar Augusto Sesma Da Cruz
    Julio Cesar de Melo Silveira
    Julio Cesar Domingas da Silva Ibrahim
    Karina de Pino
    Larissa Caldin
    Leandro Muller Lima
    Leandro Vasconcelos Thomaz
    Leear Martiniano De Sousa
    Liana Pérola Schipper
    Linda Teresinha Saturi
    Lívio Meireles Capeleto
    Lourdes Silva Dias
    Lu Magalhães
    Luana de Souza Mercurio
    Lucas Josijuan
    Luciana de Melo Souza
    Luciana Figueiredo
    Luciana Grings
    Luciana Thomé
    Luis Cesar De Sousa
    Luiz Fernando Cardoso
    Maíra Oliveira
    Maju Alves
    Malzoni Correa da Costa
    Manoel Lauand
    Mansur Bassit
    Manuel Messias da Silva Filho
    Marcelo Duvidovich
    Marcelo Gioia
    Marcelo Jose Ruv Lemes
    Marcelo Mineiro
    Marcelo Pelegia
    Marcio Coelho
    Márcio Jeronymo Rodrigues da Costa
    Marcus Watson Netto de Oliveira
    Maria Carolina Borin
    Mariana Bueno
    Mariana Medeiros Massarani
    Mariana Rolier
    Mariana Warth
    Marilia Barcellos
    Marilu Amaral Mario Sampaio
    Marina Avila Pierini ME
    Marina Falcão
    Marleth Silva
    Marly de Castilho
    Matheus Viana Zuca
    Maurício de Albuquerque Melo Júnior
    Mauricio Simões
    Maxim Behar
    Mila Bartilotti
    Monique D’Orazio
    Morales Perlingeiro Editora e Assessoria Ltda
    Natália Costa Custódio
    Nelson Naspitz
    Nora Ferreira
    Oran Takezo Kalil
    Orlando Rafael Prado
    Ovídio Poli Junior
    Paula Fábrio
    Paulo De Almeida Lima
    Paulo Ferracioli Silva
    Paulo Otávio Barreiros Gravina
    Paulo Roffé
    Pedro Almeida
    Ra Barros
    Rafael Kalebe Ribeiro Ferreira
    Rafaela Pechansky
    Rebeca Rossi Lacerda
    Renata Alessandra Bueno
    Renata Nakano
    Ricardo Camps
    Ricardo Costa
    Ricardo Garrido
    Ricardo Lelis
    Ricardo Santhiago
    Richardt Rocha Feller
    Roberta Vaiano
    Roberta Vêncio
    Roberto Aguiar Jr.
    Roberto Alberto Zsoldos
    Rodrigo Pereira Lopes de Faria e Silva
    Rosana Trevisan
    Rosane Nunes De Oliveira Pessanha
    Sâmela Roberta Hidalgo
    Sandra Reimao
    Sergio Reis Alves
    Sergio Ricardo Alves
    Sintia Mattar
    Talita Facchini
    Tatiana Cukier
    Tatiana Vieira Allegro
    Telma Kobori
    Thiago A L
    Úrsula Antunes
    Valéria Pergentino
    Vanda V. Castro
    Vera Esaú
    Victor Almeida
    Waldiney M Azevedo
    Waldir da Silveira
    Wilson Antonio Rossato Júnior
    Yúri Koch Mattos
    Yuri Oliver

    100 nomes da edição no Brasil já está disponível para compra no nosso site.

    Clique aqui e adquira o seu!

    Leonardo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Goiás e pós graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Depois de uma carreira de mais de 15 anos em comunicação corporativa e assessoria de imprensa na área Cultural, ele assumiu, em 2014, como editor-chefe do PublishNews, o maior portal de informações e de notícias sobre o mercado editorial brasileiro. Desde então, esteve na cobertura de importantes eventos como as feiras do Livro de Frankfurt, de Londres, de Sharjah e de Buenos Aires. Em 2016 foi convidado pelo governo alemão para compor uma missão de editores brasileiros naquele país e, em 2019, foi eleito um dos três melhores jornalistas no mundo na cobertura do mercado editorial pela Feira do Livro de Londres e pela UK Publishers Association.
  • O Brasil que lê

    Em todo o Brasil é possível encontrar iniciativas que buscam reconstruir os caminhos perdidos pela falta ou ineficiência de uma educação de qualidade e inclusiva, que garanta sustentabilidade cultural e crítica aos seus cidadãos. Em escolas, bibliotecas de acesso público, associações de moradores, praças, igrejas e outros tantos espaços promove-se a leitura através de projetos que se mantém pela insistência daqueles que acreditam que a leitura é um direito e pode estar na base da transformação que esse país precisa.

    O Brasil que Lê é uma pesquisa que reúne em parceria o Instituto Itaú Cultural, o Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e a JCastilho Consultoria para uma ação de mapeamento e análise de projetos de formação de leitores e mediadores em todos os estados brasileiros. O objetivo é dar visibilidade a ações que estão (re)construindo o tecido social brasileiro através da leitura e da cultura, resgatando histórias e vidas, compartilhando conhecimento e apoiando decisivamente o estabelecimento de novos patamares para a formação continuada de leitores no país.

    A perspectiva é que a pesquisa recolha projetos de leitura e apresente, além de um mapeamento histórico, geográfico e social dessas ações, um levantamento sobre práticas, perfis de mediadores e uso de tecnologias de informação e comunicação em promoção de leitura. Para a captação dos dados dos projetos será utilizado um questionário virtual cujo link será divulgado nas redes sociais das instituições envolvidas e em contatos diretos com promotores de leitura. Quem realizar ou conhecer algum trabalho deve se inscrever e obter um selo de participação.

    Os diferentes nichos de informação apurados pelo trabalho serão fundamentais para a compreensão do que é feito para promover a leitura em nosso país e podem apontar possibilidades e demandas que orientem futuras ações e investimentos. Os resultados dessa pesquisa serão publicados e divulgados conjuntamente pelas instituições parcerias. Buscar conhecer é o primeiro passo.

    Para participar da pesquisa, você deve acessar este formulário. O projeto conta muito com a ajuda de todos!

    Fonte: O Brasil que lê

  • Cultura da paz: uma resenha por Ana Haddad

    Ao percorremos as páginas de Cultura da Paz somos surpreendidos com mais uma obra de Marco Lucchesi. Este que, acima de tudo, prima não somente pela erudição, mas, inclusive, pela solidariedade profunda, própria daqueles que possuem brilho silencioso, irradiante. Em outras palavras: sente dores autênticas diante dos inúmeros dramas humanos que subtraem o direito da existência plena. Um poeta que exala satisfação, generosíssima, ao ressaltar valores de escritores, pensadores, artistas, refugiados, presidiários. Sem fronteiras geográficas, históricas, hierárquicas e temporais.

    Cultura da Paz pode e deveria ser lido como uma verdadeira Educação Estética. Os textos de Marco Lucchesi são exigentes. Exigentíssimos. Reforçam, inclusive, uma posição importante de nosso mestre Deleuze, ou seja, de que a verdadeira literatura não se faz apenas com intenções literárias. Solicitam do leitor
    um repertório não somente voltado para a literatura. Mas para a pintura, história, geografia, ciências em geral, filosofia, música, política, teologia.

    Marco Lucchesi desafia, uma vez mais, a capacidade de confronto das habituais insuficiências que sempre inquietaram os que realmente pensam. Ao terminar a leitura dos ensaios, contidos neste livro, de imediato, sentimos a necessidade de retomá-los. Talvez de forma descontínua. Cada ensaio é uma síntese
    em alto grau de excelência. Cada texto remete o leitor a um diálogo com a tradição e valores que atualmente, mais do que nunca, deveriam ser repensados e avaliados por todos os seres humanos que ainda acreditam na capacidade da admiração, indignação e, sobretudo, no fascínio dos verdadeiros textos com alto grau de poeticidade.

    E, finalmente, observe-se um projeto editorial de altíssima qualidade. Capa, ilustrações e outros detalhes importantes que dão à obra a seriedade que ela merece.

    Cultura da Paz já está em pré-venda.

    Garanta o seu.

    Ana Maria Haddad Baptista possui pós-doutoramento em História da Ciência,
    Universidade de Lisboa e pela PUC/SP onde se aposentou. Mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC/SP). Possui vasta experiência no magistério do Ensino Superior. Diversas publicações no Brasil e exterior. Atualmente trabalha como pesquisadora e professora nos programas de pós graduação stricto sensu Educação da Universidade Nove de Julho de São Paulo.