Blog

A Oficina Raquel existe desde 2006, e, desde então, vem se afirmando como uma editora independente, comprometida especialmente com literatura e pensamento. Damos muita atenção à dimensão política do pensar, sem que, com isso, assumamos qualquer proselitismo; somos, de qualquer modo, democratas com muita convicção, e é nisso que se baseia nossa ética mais profunda. Transitamos, portanto, pelas veredas por que transitamos: a literatura e o pensamento, com suas muitas, imensas, largas derivas.


Últimas postagens do blog

  • Todes juntxs por um mundo igualitário!

    A Editora Oficina Raquel vai começar a publicar quadrinhos! E, para isso, montou uma campanha na plataforma “Catarse” para o lançamento de A liga das superfeministas, da canadense Mirion Malle.  Trata-se de uma HQ ao mesmo tempo didática e muito divertida, na qual são apresentados e discutidos conceitos tais como feminismo e alfabetização midiática, passando ainda por interseccionalidade, privilégio, imagem corporal, inclusão e muito mais; tudo desmistificado na forma de um diálogo espirituoso e realista que incentiva o questionamento das histórias que contamos sobre identidade.

    Os quadrinhos perspicazes e bem-humorados de Malle transportam conceitos elevados da torre de marfim para o espaço eternamente mais seguro de discussão aberta. Em A liga das superfeministas, cavaleiros e princesas apresentam problemas associados ao consentimento; os super-heróis revelam estereótipos problemáticos associados ao gênero; e espectadores mal-humorados mostram o quão insidiosa a cultura dos xingamentos pode ser.

    A liga das superfeministas articula com equilíbrio e clareza como preconceitos inconscientes e processos de pensamento problemáticos podem ter resultados trágicos. Por que o feminismo é importante? As feministas odeiam o homem? Como raça e feminismo se cruzam? Malle responde a essas perguntas para jovens leitores, em uma história em quadrinhos que é tão lúdica e hilária quanto necessária. Os 50 primeiros apoiadores dessa nova campanha da Oficina Raquel receberão brindes especiais. Maiores detalhes da campanha podem ser conferidos em https://www.catarse.me/superfeministas

  • Cem anos de Paulo Freire – Uma homenagem

     No ano em que é comemorado o centenário de Paulo Freire, é importante celebrar a atualidade e a presença incontornável de seu pensamento nos rumos da Educação.  Por isso, a Editora Oficina Raquel convida você, professor/professora, a nos ajudar a homenageá-lo.

    Envie seu ensaio ou relato de experiência acerca da obra do grande educador. Nosso objetivo é reunir os melhores textos em livro, a ser publicado ainda em 2021. A publicação tenciona não apenas tornar significativo o pensamento freiriano para a contemporaneidade, mas também oportunizar aos profissionais da Educação uma publicação de referência que os ajude a ressignificar práticas escolares a partir das concepções de Freire. Serão aceitos textos advindos de autores/as atuantes em quaisquer segmentos da Educação Básica e vinculados/as às mais variadas disciplinas ou áreas de Ensino.  As contribuições podem ser enviadas por profissionais do Brasil ou de outros países, desde que escritas em Língua Portuguesa.

    Em 2012, Paulo Freire passou a ser reconhecido oficialmente como patrono da educação brasileira, a partir da lei nº 12.612. No entanto, observa-se, na história recente de seu próprio país de nascimento, que a memória do autor vem sofrendo diversos ataques de setores tradicionalistas que tentam deslegitimar seu legado. Segundo alguns especialistas, tal fato pode ser atribuído ao desconhecimento ou leitura superficial de sua obra e também, especialmente, ao temor causado por seu impacto na construção de uma educação cada vez mais comprometida com a justiça, a defesa do meio ambiente e a liberdade de expressão.  A despeito disso, segundo estudos apresentados na última edição da ANPED (2020), na América Latina existem, atualmente, 24 cátedras, 7 institutos, 1 universidade e 52 Grupos e Redes de Pesquisa, sendo, no Brasil, 1 Instituto, 10 cátedras e 46 grupos e Redes de pesquisa sobre o autor e sua obra. Tais dados atestam a forte presença de Paulo Freire não só como objeto de estudo, mas também como norteador de um pensamento e prática pedagógicos, que se estendem para além de seu tempo.

     Pensando na força dessa presença de Paulo Freire, sobretudo nesses tempos tão desafiadores, a Editora Oficina Raquel propõe a publicação de uma coletânea de textos em homenagem ao centenário do educador. A obra a ser produzida será fruto de uma escrita coletiva, a partir do convite a educadores, assumidamente comprometidos e identificados com a contribuição do autor, dispostos a partilhar suas ideias e inspirações, pautadas pelo legado Freireano e evidenciadas em suas práticas cotidianas.  Trazer a presença de Paulo Freire no fazer e na escrita de educadores deste tempo, reafirma a força viva de seu pensamento, não para reproduzir fielmente suas ideias, mas, assim como ele mesmo preferia, para ressignificá-las, tomando-as para si, num gesto criativo e potente que faz ecoar seu legado, traduzindo a essência da leitura de mundo, que precede a leitura da palavra.

    Convite aos educadores

     A ideia de produzir uma obra, escrita a várias mãos, reunindo visões e sentimentos de educadores que, por convicção e opção pedagógica, caminham em sintonia com uma Pedagogia Freireana tem como propósito favorecer o diálogo em suas múltiplas possibilidades (dos autores dos textos com o autor homenageado, dos autores entre si e dos leitores com a obra), materializando na coletânea de textos a serem escritos, a homenagem ao homem centenário, educador a frente e para além de seu tempo, que se por aqui ainda estivesse, certamente muito teria a nos dizer sobre tudo o que estamos vivendo, provocando novas reflexões e fazeres.  Por isso, o convite para integrar essa obra parte do desejo de ouvir diferentes vozes que, de algum modo, e em algum momento de suas trajetórias pessoais e profissionais, foram atravessadas pelo pensamento do autor e, provavelmente, dele têm se utilizado, como bússola, para enfrentar a tempestade sem perder o rumo e construir, com esperança otimista, novos cenários .  O que a obra de Paulo Freire tem a nos dizer, especialmente neste momento da educação no Brasil e no mundo? Como Freire se faz/fez presente em minha ação/trajetória? Que conceitos freireanos são /foram chaves importantes para nortear minhas opções como educador/educadora?  Estas são algumas das questões que podem conduzir as narrativas. Fica aqui reafirmado o convite!

    Organização do projeto

    O projeto é realizado pela Oficina Raquel com curadoria de Simone Monteiro 

     Mestre em Educação (PUC-RJ), pedagoga, especialista em Alfabetização (UFRJ) e em Midia, Tecnologias da Informação e Práticas Educacionais (PUC-RJ). Professora da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro desde 1985.  Atualmente é Assessora de Articulação Pedagógica na MULTIRIO, empresa pública municipal de multimeios em educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria Municipal de Educação

    Cronograma

     – 10 de junho de 2021: lançamento do formulário de inscrição;

    CLIQUE AQUI

    – 10 de junho a 30 de agosto: envio dos textos;  Prorrogado para 15 de setembro.

    – até 30 de setembro: análise dos textos recebidos;  Prorrogado para 15 de outubro.

    – 10 de setembro: devolutiva aos autores; Prorrogado para 30 de outubro.

     

  • Entrevistando a Sexpert Francesa Maïa Mauzarette

    A sexpert Maïa Mauzarette é colunista do jornal Le Monde e sua coluna é a mais lida do jornal. A Oficina Raquel traz uma coletânea inédita das suas melhores colunas ao Brasil.

    Oficina Raquel: Como você avalia a recepção da sua coluna? Sabemos que este é uma das mais lidas. Mas você acha que as pessoas estão colocando em prática seus conceitos pré-sexuais construídos décadas atrás?

    Maïa Mauzarette: É uma questão difícil: eu não posso (felizmente!) espionar o que as pessoas fazem em sua vida privada (tenho certa ideia de suas práticas em geral, a partir de estatísticas, mas não tenho ainda dados que revelem o impacto de minhas crônicas – o que seria, sem dúvida, divertido). Enquanto espero que eu consiga me teletransportar para o quarto de meus leitores e minhas leitoras, continuo humilde: as representações ligadas à sexualidade são milenares, necessariamente leva tempo para modificá-las. A contracepção data de apenas duas gerações atrás: mesmo que seja apenas para colocar a questão da sexualidade como lazer, tudo é muito novo. Fico às vezes frustrada, é claro, pois eu desejaria que as pessoas que estão entediadas, ou que acham que já tentaram de tudo, se questionassem. Mas também sei, porque recebo muitos e-mails, que as pessoas experimentam e renegociam após minhas crônicas: não uma em particular, mas seu acúmulo, semana após semana. E fico muito orgulhosa disso.

    OR: Durante o processo de tradução e revisão do seu livro, tivemos muitas discussões interessantes e divertidas (muitas vezes online devido à pandemia). O propósito dessas colunas é fazer o leitor pensar levemente sobre as muitas possibilidades quando se trata de sexo?

    MM: É claro ! E funciona. Sei que defendo um ponto de vista minoritário (sou especialista em sexo, não é uma expertise muito comum, e me definiria como muito reservada em relação à monogamia, e francamente queer em minhas utopias) … mas jamais procuro convencer . O que me interessa é a inteligência de leitores e leitoras – que fazem a segunda metade do trabalho, aquela que consiste em se posicionar em relação aos fatos e ideias que lhes ofereço. Eu não acho que estou “certa”. Em sexualidade, de qualquer maneira, o que isso significaria? Por outro lado, acho que proponho uma grade de leitura coerente do mundo (e isso já não é ruim) – uma grade sobretudo alegre e inventiva. Também gosto muito de abrir horizontes, abordar a sexualidade como cultura e não apenas como prática, como algo político e não apenas pessoal… Pode ser arrogante, mas acredito que meu trabalho seja útil. (Na pior das hipóteses, diverte o leitor!)

    OR: Como você acha que está indo a vida sexual das pessoas durante o isolamento social e a pandemia?

    MM: Na França, é muito equilibrado: um terço das pessoas está bem, um terço está infeliz, um terço não mudou seus hábitos. Também é irritante para mim porque nenhuma linha clara se delineia. Por outro lado, o que é interessante é o aumento das desigualdades: casais que já estavam bem estão se saindo melhor, casais que estavam mal estão piorando ainda mais. Solteiros aventureiros continuam suas aventuras, solteiros conservadores não encontram ninguém. A crise funciona como um indicador. Mas ficarei muito feliz quando sairmos disso.

    OR: Você gostaria de mandar uma mensagem para o leitor brasileiro?

    MM: Acima de tudo, gostaria de enviar-lhes minha compaixão: na França, acompanhamos muito as notícias do Brasil diante da pandemia. Não podemos (ainda) nos aproximar e segurar a mão de vocês, e sei que as minhas palavras não pesam, mas pelo menos: não somos indiferentes.

    Confira o livro da Maïa através desse link: https://www.oficinaraquel.com.br/livro/o-sexo-segundo-maia-alem-das-ideias-aceitas/

  • Últimos dias para ter Mentiras reunidas

    A pré-venda de Mentiras reunidas só vai até quinta-feira, 15 de abril. Na verdade, não é pré-venda, mas só “venda”, porque não vai ter venda depois disso. Acabou, kaputt. Ou seja, esse kit específico (capa dura + bolsa + 5 contos exclusivos) vai encerrar na quinta. Vamos ver quantos venderam, imprimir, enviar para os leitores e fãs do Alex e pronto.

    Talvez, no final do ano, saia uma edição brochura, mas aí não será capa dura, não virá com bolsa, não terá esses 5 contos.

    Mentiras reunidas, de Alex Castro, na reta final. Então, quem quiser, compra lá:
    oficinaraquel.com.br/livro/mentiras-reunidas

    No total, o livro contém um romance e 17 contos. Ao longo dos últimos dois meses, Alex Castro postou várias palhinhas. Aqui vão:

    Porque mentir:
    alexcastro.com.br/porque-mentir/

    Primeiras mentiras:
    alexcastro.com.br/primeiras-mentiras/

    E os contos:

    Uma cigarrilha apagada:
    alexcastro.substack.com/p/uma-cigarrilha-apagada-conto

    Te espero no açougue:
    alexcastro.com.br/acougue-conto

    Grandezas de candura:
    alexcastro.substack.com/p/grandezas-de-candura-conto

    Quando morrem os pêssegos:
    alexcastro.com.br/pessegos-conto

    Às vezes, morro:
    alexcastro.com.br/as-vezes-morro

    De portas abertas:
    alexcastro.substack.com/p/de-portas-abertas-conto

    A história de Libeca:
    alexcastro.com.br/libeca

    A cachorra atropelada:
    alexcastro.com.br/cachorra-atropelada-conto

    Como nos velhos tempos:
    alexcastro.com.br/como-nos-velhos-tempos-conto

    E aí, gostou?

    Garanta o seu Mentiras reunidas

  • Por que mentir?

    Tudo é mentira nesse livro: não só os contos, mas os elogios da contracapa e o texto das orelhas, o prefácio e o posfácio, tudo, enfim.

    Se esse exemplar na sua mão tiver uma dedicatória escrita por mim, ela também é mentira. (Toda dedicatória que escrevo é sempre mentirosa: um microconto que invento na hora e escrevo ao vivo. Somente o nome da recipiente é real.)

    Mas por que mentir? Por que escrever dedicatórias apócrifas, orelhas fajutas, biografias falsas? Por que tanto desrespeito à pessoa que está lendo? Por que perder tempo em brincadeiras bobas? Por quê? Para quê? Ou, mais fundamentalmente, no meio de uma pandemia global, para quê escrever ficção?

    Vivemos a Era da Mentira.

    Hoje, temos na presidência do Brasil e dos Estados Unidos dois homens eleitos na base de notícias falsas.

    Por outro lado, essas notícias falsas se tornaram um problema justamente porque as pessoas estão tão céticas que, em seu ceticismo crédulo, acreditam ingenuamente em qualquer teoria alternativa dos fatos.

    Um dos grandes paradoxos dos tempos atuais é que foram exatamente as pessoas mais céticas e cínicas que se tornaram as maiores crédulas e ingênuas. (Antes da pandemia, que roteirista teria incluído em seus filmes uma comunidade de “negacionistas do apocalipse zumbi”?)

    Todos os dias, nas redes e aplicativos, somos bombardeadas por uma saraivada de mentiras, mas não apenas mentiras: mentiras que batem retumbantemente no peito para se proclamar verdades, mentiras orgulhosas de serem as únicas verdades, mentiras que insistem representar a verdadeira verdade.

    Nesse mundo, o que pode ser mais subversivo do que uma mentira que se afirma mentira? Nesse contexto, o que pode ser mais revolucionário do que uma mentira que se gaba de ser mentira?

    Sou bacharel em História. Fui treinado para pesquisar e investigar, descobrindo assim a verdade sobre os fatos do passado.

    Sou escritor de ficção. Passei a vida inteira inventando histórias que nunca aconteceram com pessoas que nunca existiram.

    A verdade está no centro do meu trabalho, seja para buscá-la ou evitá-la. Tudo o que faço profissionalmente diz sempre respeito à verdade, seja reflexão ou discurso, ataque ou defesa, repudiação ou fuga.

    Chamamos ficção de ficção porque não queremos chamá-la por seu nome verdadeiro. Ficção é mentira. Um livro de contos é um livro de mentiras. Mais importante, é um livro de mentiras que nunca te engana sobre o fato de ser um livro de mentiras.

    A leitora distraída, se abrisse esse livro na livraria e lesse somente uma orelha, talvez até se deixasse enganar.

    Mas bastaria ler a outra orelha para detectar a discrepância e sentir o estranhamento. Afinal, ambas se contradizem e se anulam.

    Talvez pensasse que ou uma orelha ou a outra teria necessariamente que ser mentira.

    Talvez se desse conta que poderiam as duas ser mentira.

    Talvez (quem sabe!) pecebesse até mesmo que toda orelha de todo livro é sempre mentira.

    Afinal, o que é uma orelha de livro senão uma narrativa ficcional para criar uma persona vendável ou prestigiosa para a pessoa autora? (Com ou sem foto? Foto de rosto ou de corpo inteiro? Foto na praia ou na biblioteca? Melhor citar os títulos acadêmicos ou os títulos dos livros publicados? As esposas ou os filhos? As viagens ou as falências?)

    Se as orelhas são mentira, o que dizer então dos prefácios e dos posfácios? Dos elogios da contracapa e dos agradecimentos finais?

    E não só desse livro, mas de todos os outros que já li, pensaria a hipotética leitora: esses livros em quem tanto confiei.

    Ou, talvez, distraída e desinteressada, simplesmente colocasse o livro de volta na mesa e fosse comprar um Moleskine.

    ***

    Um editor se recusou a publicar esse livro (chamado Mentiras Reunidas, vamos lembrar) por causa do excesso de mentiras.

    O livro é de ficção, respondi.

    Ora, nas orelhas, na biografia, nos elogios da contracapa não pode.

    Mas por quê? Se o livro é ficção, por que não ser tudo ficção?

    A verdade é que é tudo mentira.

    A mentira é que nada é verdade.

    Alex Castro,
    Copacabana, 6 de janeiro de 2021

    Deseja adquirir o livro Mentiras Reunidas, na pré-venda? Clique aqui e compre o seu com direito a brindes exclusivos e um exemplar em capa dura.

    Alex Castro (1971-2021) não teve filhos.

    Foi melhor amigo de: Dolly (1978-89), Júnior (1990-92), Átila (1993-2002), Oliver (c.2001-14) e Capitu (2014-21).

    Amou e foi amado por: Diane (2001-04), Liloló (2005-10), Vívian (2010-12), Outra Significativa (2012-15), Carolina (2015-18) e Marina (2018-21).

    Escreveu: Mulher de um homem só (2009), Onde perdemos tudo (2011), Outrofobia (2015), Atenção. (2019) e Prisões (2021, póstumo).