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Oh, margem! Reinventa os rios! Livro de água em movimento!

Por Cidinha da Silva

“Dia desses escrevi que a Oficina Raquel é a nona editora de mulher pela qual publico. Uma alegria. E um livro muito querido, Oh, margem! Reinventa os rios!, esgotado desde 2018.

A edição da Oficina Raquel contará com dois contos e três crônicas novas, a saber: “Thriller” (originalmente publicado na Alemanha), “Querubim Pretim”, “O dia que o livro foi traje de gala”, “Musashi e Spider” e “O lugar de fala de quem se pergunta em que inimaginável mundo novo vivemos?”. A grande novidade, entretanto, é a organização dos textos como o curso de um rio, nascente, afluente, leito e foz, proposta pela querida editora Raquel Menezes. Adorei a sugestão e a acatei de pronto. Raquel acrescentou um fluxo novo à narrativa do rio, digo, do livro.

Para apresentá-lo convidei o escritor Paulo Scott que há alguns anos havia me dito que gostava muito da obra, aproveito para agradecer de público sua disponibilidade. A amiga e escritora Maria Valéria Rezende também escreveu sua palavra para o livro e é mais um agradecimento que acrescento.

A capa é um presente, arte do premiado  escultor mineiro, Jorge dos Anjos, um homem do ferro. Telefonei ao Jorge e, ressabiada, solicitei a cessão de uma imagem do seu acervo. Ele me atendeu como a uma velha amiga, como se não nos falássemos há 20 anos, embora acompanhemos com admiração nossas trajetórias. Gracias, Jorge e também à Irena que nos atendeu de maneira tão solícita.

O livro é dedicado a duas pessoas muito caras a mim, um filho e uma filha de Ogum, como Jorge dos Anjos. “Oh, Margem” é de Ricardo Aleixo, poeta mineiro-virginiano que completou 60 idades em setembro. É também de Sueli Carneiro, paulista-canceriana de ascendência mineira que completou 70 idades em junho, ambos neste ano da graça da pandemia de Covid-19. Ao homenageá-los na fase mais madura da vida, reverencio por oposição, a maioria nossa, da gente negra, que morre cedo, a quem é negada a dádiva de envelhecer com saúde.

Para terminar, conto a vocês que numa live com colegas escritores no mês de agosto, quando perguntada sobre os projetos futuros, mencionei o lançamento de duas segundas edições de livros ainda no segundo semestre, o colega mediador, surpreso indagou: mesmo na quarentena? Eu disse sim, um sim seco, porque não daria bola para a descrença contida na pergunta. De certo ele não conhece a assertividade da Oficina Raquel, eu conheço. “

Oh, Margem! Reinventa os rios! entrará em pré-venda no site da Oficina Raquel dia 6 de outubro e será finalizada dia 20 do mesmo mês. Os livros comprados na pré-venda serão autografados e enviados com um brinde.

Se prepare para garantir o seu!

Cidinha da Silva (MG) é escritora e editora na Kuanza Produções (www.kuanzaproducoes.com.br). Publicou 17 livros distribuídos pelos gêneros crônica, conto, ensaio, dramaturgia e infantil/juvenil. “Um Exu em Nova York”, recebeu o Prêmio da Biblioteca Nacional (contos, 2019) e “Explosão Feminista” (ensaio), do qual é co-autora, foi finalista do Jabuti , e recebeu o Prêmio Rio Literatura 4ª edição, ambos em 2019. Têm publicações em alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano.  É curadora e âncora do programa-web Almanaque Exuzilhar (Youtube) @cidinhadasilvaescritora  

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Marco Lucchesi no catálogo da Oficina Raquel

Em novembro de 2020, teremos um lançamento especial de Marco Lucchesi, o atual presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1963 e ocupa a cadeira de no.15.

É autor, entre outros, dos romances O bibliotecário do imperador e O Dom do Crime. Domínios da Insônia reúne, em grande parte, seu legado poético. Como tradutor, verteu para o português obras dos italianos Primo Levi e Umberto Eco, do persa Rûmî, do russo Khlebnikov e do tcheco Reiner Maria Rilke. Professor titular de Literatura Comparada da UFRJ. Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Tibiscus e Aurel Vlaicu da Romênia. Palestrou em diversas universidades ao redor do mundo. Seus livros já foram traduzidos para mais de dez idiomas.

Marco preparou um texto especial falando um pouquinho mais sobre seu futuro trabalho com a Oficina Raquel, chamado Cultura da Paz:

Cultura da paz reúne ensaios escritos em forma de prosa poética, aberto para o diálogo e a alteridade, em contraposição ao momento atual, marcado pela ausência de empatia e intolerância. A literatura como centro do debate, a pintura e a música. Mas também o lugar da cidadania, um capítulo amplo, dedicado às visitas do autor às prisões, e em outras paisagens adversas mundo afora. O livro é uma mensagem de paz numa garrafa lançada em mar aberto.”

Continuem acompanhando as novidades do lançamento de Cultura da Paz pelas nossas redes sociais.

Marco Lucchesi é escritor, poeta, ensaísta, professor e tradutor, graduou-se em História pela Universidade Federal Fluminense, obteve os títulos de mestre e doutor em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e fez pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Universidade de Colônia, na Alemanha. Transita por mais de 20 línguas.

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Teolinda, Alice e outras mulheres

Depois de A cidade de Ulisses, Teolinda Gersão, uma das mais importantes contistas e romancistas da literatura portuguesa contemporânea, lançou em julho um novo livro pela Oficina Raquel. Trata-se de Alice e outras mulheres, uma antologia de contos organizada por Nilma Lacerda. Batemos um papinho com a autora sobre sua experiência conosco e sua paixão pela literatura, confira a seguir:

Foi um feliz acaso a editora Oficina Raquel ter-me descoberto. Adoro trabalhar com pessoas dinâmicas, apaixonadas por literatura, e de uma geração mais nova.

Mais do que livros, literatura é uma excelente definição da Oficina Raquel. Raquel Menezes, que a dirige, – (e não, não foi ela que a “baptizou” com o seu nome) – tem um curso universitário em Letras e uma cultura com provas dadas. Como todas as empresas, precisa obviamente de vender livros para sobreviver,  mas não é o lucro que a move, é muito mais do que isso: O desejo de contribuir para o progresso da mentalidade e da cultura de quem lê e fala português, onde quer que esteja, país, geografia, cultura ou continente.

Também nesse desígnio nos encontramos: o que me move a escrever não são prémios, dinheiro ou celebridade, quero infinitamente mais do que isso: Ser livre de tentar mudar alguma coisa no mundo, por mínima que seja. Nada me é mais gratificante do que  testemunhos que recebo de leitores –  ao longo de quatro décadas são naturalmente numerosos, e chegam de todos os quadrantes.

Não é raro escreverem, por exemplo, sobre um ou outro livro: mudou a minha vida, tencionava seguir outro curso, mas decidi estudar literatura , é o livro que eu gostava de ter escrito, foi escrito para mim, é a história da minha vida, é a história que eu gostava de ter vivido, fez-me repensar o mundo, marcou-me, inquietou-me, provocou-me, levou-me a olhar a vida e as pessoas de outro modo, percebi que a literatura é uma forma de liberdade e de luta, etc..

Perante o estado actual do mundo, tenho consciência de que a minha geração falhou em aspectos absolutamente essenciais. Se eu puder contribuir, mesmo na ínfima escala de pessoa a pessoa, para transmitir isso às gerações mais jovens, como incentivo e apelo a que não desistam onde nós falhámos, valerá a pena ter dedicado a minha vida à escrita.

Amanhã, dia 19 de setembro, a Universidade Católica de Petropólis promoverá o lançamento on-line do livro “Alice e outras mulheres” pelo Youtube, organizado por Nilma Lacerda e escrito por Teolinda Gersão. Venha prestigiar! O link para participar do evento encontra-se aqui

Teolinda Gersão estudou nas Universidades de Coimbra, Tubingen e Berlim, foi leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim e professora catedrática de Literatura Alemã e de Literatura Comparada na Universidade Nova de Lisboa.
Viveu na Alemanha e no Brasil (São Paulo) e passou algum tempo em Moçambique. Foi escritora residente na Universidade da California, em Berkeley.
É autora de 17 livros de ficção, e está traduzida em 20 países.
Recebeu alguns dos mais importantes prémios literários portugueses, entre os quais por duas vezes o Prêmio de Ficção do Pen Clube, o Grande Prêmio de Romance e Novela da APE, o Grande Prêmio do Conto Camilo Castelo Branco, o Prêmio Vergílio Ferreira, o Prêmio Fernando Namora, e fez parte da short list do Prêmio Europeu de Romance Aristeion.
Em 2018 recebeu o Albert Marquis Lifetime Achievement Award.
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Um bate-papo com Júlio Emílio Braz

A Oficina Raquel tá cheia de novidades para 2020, com um catálogo composto por lançamentos de autores incríveis, Júlio Emílio Braz é um deles. Esse ano, o autor lança Epaminondas Goiabeira & A Máquina da Felicidade, com projeto gráfico de Raquel Matsushita, um livro voltado para o público infanto-juvenil, onde o tempo é elemento preponderante: o passado dialoga com o pretérito mais-que-perfeito e, nessa confluência de épocas, sobrevém a gripe espanhola, mais marcante peste que assolou a humanidade no século passado.

Em uma entrevista exclusiva com nosso editor Jorge Marques, o autor responde algumas questões sobre sua carreira e seu próximo lançamento na Oficina Raquel. Leia a seguir:

JM: Júlio, ficou famosa a pergunta e talvez, ainda mais, a resposta de Joaquim Pedro de Andrade ao jornal “Liberation” à questão “Por que você faz cinema?”. Queria começar nossa conversa trazendo-a para o seu métier: Afinal de contas, por que você faz literatura?

JE: Uma das maiores e agradáveis descobertas que fiz na minha vida aconteceu quando Ferreira Gullar fez-se o grande substituto de uma das edições da Flip anos atrás. Em dado momento, alguém o questionou sobre a grande importância da arte na vida das pessoas e ele respondeu com insofismável segurança ao dizer: “Porque a vida só não basta”. Fiquei encantado e finalmente encontrei o elixir mágico de todas as minhas mais arraigadas convicções com relação a Literatura, o bálsamo adequado para enfrentar todas as incompreensões mais comuns sobre a Cultura e a Arte em países periféricos como o nosso. A literatura é o meu oxigênio, a certeza poderosa de que a minha humanidade se completa com a maior obra de qualquer humanidade, que é a palavra e acima de tudo, o seu uso.   

JM: Creio que os meus primeiros contatos com suas obras foram lá no início de minha carreira como professor, quando títulos como “Pretinha, eu?” e “Crianças na Escuridão” encontraram grande repercussão na recepção de professores e jovens leitores. Unir a preocupação social ao fazer literário faz parte de um projeto artístico sistemático ou isso surge de uma maneira menos racional na sua trajetória?

JE: No princípio, a busca por tais temas e pelo viés social em meus livros se faziam por algo instintivo ou a percepção de que algo estava errado ou simplesmente me incomodava e eu precisava falar sobre aquilo. Aos poucos, no entanto, principalmente quando passei a visitar escolas públicas pelo Brasil afora, eu fui compreendendo a necessidade de se debater e falar sobre problemas que não apenas me afligia mas atingiam outros pessoas e o mais dramático, quem elas nem percebia. Falar sobre tais temas não era mais a maior necessidade, mas a ignorância geradora de tais problemas, o inimigo a ser incansavelmente perseguido. No entanto, eu até hoje me preocupo em não ser panfletário. Certa vez eu ouvi Mário Quintana dizer que um livro, uma canção ou uma peça de teatro não mudam o mundo, a arte, cultura e o conhecimento mudam o ser humano que se conseguir se unir (a desunião é o fruto amargo da ignorância), mudará o mundo. Meu único prazer e objetivo na vida é escrever boas histórias e se forem realmente boas, conseguirão colocar a quela inquietação necessária ao crescimento intelectual de qualquer um de nós. Foi a partir daí que agreguei uma certa racionalidade ao que faço.

JM: Sua carreira artística nasce no século XX, numa realidade ainda analógica, passa pela popularização da internet, na virada do milênio, e chega a uma sociedade amplamente dominada pelo universo digital. Na sua visão, como essas transformações atingiram (se é que atingiram) o mundo do livro e da leitura?

JE: Jorge, acredito piamente que somos seres absolutamente maleáveis. Nossa sobrevivência e resiliência frente às múltiplas dificuldades que superamos nos leva, por um lado, a superar cada obstáculo na vida, e pelo outro, a estar sempre nos renovando. Nunca será fácil mas sempre será necessário por ser a nossa maneira de ser. A necessidade nos move e a curiosidade nos define. Apesar de ser um analógico, a era digital me seduz. A era digital, se por um lado nos levou a processo de velocidade cognitiva, também nos trouxe uma certa dificuldade em fixar-se na leitura do texto físico. Mas também um surpreende acesso a um cabedal de leitura e conhecimento impensável vinte ou trinta anos atrás. Com ela, veio uma certa ignorância por excesso de conhecimento com uma certa incapacidade de fixar o que se lê. Eu descobri algo novo e interessante nesses tempos de Pandemia: vou fazer quarenta anos como escritor e apenas em quatro meses de acesso mais intenso as mídias sociais me tornei muito mais conhecido e lido do que em quarenta anos. Mesmo nos tempos analógicos sempre fomos o que somos até hoje: agregadores de conhecimento e como consequência, criadores de mais conhecimento. Não tema o conhecimento. Apavore-se com o desinteresse e a acomodação que nos submete ao domínio daqueles que temem a ação libertadora do pensar e até errar por si mesmo.

JM: Epaminondas Goiabeira e a máquina da felicidade é um livro que trabalha com os pretéritos: um homem de avançada idade vive um momento crucial de sua vida e passa então por um mergulho profundo em suas lembranças. Nesse jogo de passados, qual é a importância do tempo na narrativa?

JE: O tempo é uma abstração como dizia John Lennon, mas o tempo é em igual medida o que nos capacita a estarmos permanentemente atrelado à memória, outra invenção do humano e que nos assegura a singularidade de pensar e existir a partir da compreensão do Outro. Somos porque compreendemos e concebemos que existe outro. Somos humanos porque identificamos o Outro como um igual. Por outro lado, não somos o Outro e por conta dessa percepção, necessitamos de um processo intelectual que nos defina como igual biologicamente mas diferentemente em termos intelectuais. Não somos humanos mas nos tornamos humanos quando construímos intelectualmente todo uma consciência do que somos. A identidade é construção de um ser pensante e não uma determinante biológico. O tempo nos atrela a nossa existência. Um cachorro quando se olha no espelho late, pois acredita que seja outro cachorro. Ser pensante, ao se ver no espelho, ajeita o cabelo ou as vestes, pois se entrega a vaidade e a sua singularidade para garantir a sua diferenciação ontológico de outros humanos. O tempo, neste aspecto, assegura tanto a eternidade da memória quanto a relação de um certo manual de instruções que em última análise nos torna apto a lidar com a existência que construímos para nós mesmos em distintas sociedades e de distintas maneiras (porque ocidentais têm uma relação distinta com a morte dos orientais, rituais de casamento, constituição de famílias, a relação com nossos sentimentos, etc).

JM: Em Epaminondas Goiabeira e a máquina da felicidade são levantados temas densos e universais. Como abordar questões como a transitoriedade da vida, o poder, a felicidade em uma construção narrativa aparentemente tão simples?

JE: A genialidade é simples e a partir do uso adequado das palavras, bom autor consegue manipular temas complexos de modo que todos compreendam temais como a morte. Em Epaminobdas eu falo de morte pensando em adolescentes e eles já tem uma visão mais sofisticada da morte. Em outro livro, para crianças, eu apresentei a finitude da vida através da morte do animal de estimação de uma criança, pois muitas vezes o peso da morte chega pela perda de um animal de estimação. Num terceiro para crianças eu queria falar da morte de um avô. E a criança é a narradora da relação entre o avô e seu cachorro também velho. O debate sobre a dor do adolescente é transferido para o cachorro e para a relação do cachorro com o avô do adolescente. O adolescente ameniza a sua dor ao contar muitos fatos engraçados da relação do cachorro e o velho. A própria morte do avô é apresentada com a ajuda do ilustrador: na última página do livro o cachorro aparece sozinho no quarto, olhando a foto onde ele aparece ao lado do velho. As últimas palavras do narrador apresentam-se falando da morte de maneira leve e buscando apresentar como um fato da vida.  

JM: Afinal de contas, se você tivesse uma máquina da felicidade à sua disposição, ia querer usufruir dela?

JE: Adoro viver. Isso responde a sua pergunta?

Em breve o livro será lançado. Não perca a oportunidade de garantir o seu!

Júlio Emílio Bráz nasceu em 16 de Abril de 1959. Autor de livros infantis e juvenis há quase quarenta anos, começou sua carreira literária de maneira curiosa: desempregado, aceitou convite para escrever roteiros para as revistas de terror da antiga em Editora Vecchi em outubro de 1980. Seguiu-se publicações em outras editoras no Brasil e países como Estados Unidos, Bélgica, Portugal, entre outros e sua primeira premiação: o Ângelo Agostini da AQC como melhor roteirista de quadrinhos de 1986. Em 1983 começa a escrever Bolsilivros de bang bang para a Editora Monterey, escrevendo cerca de quatrocentos títulos sob 39 pseudônimos também para editores como Nova Leitura e Cedibra. Em 1988, publicaria seu primeiro infanto-juvenil, Saguairu, pela Atual Editora, e no ano seguinte ganharia o Prêmio Jabuti de Autor Revelação. Em 1990 escreveria sketches de humor para o humorístico Os Trapalhões na TV Globo e atualmente dedica-se exclusivamente a Literatura infanto-juvenil, com quase duzentos livros publicados no Brasil e no exterior (em 1997, a tradução para o alemão para seu livro Crianças na Escuridão – Kinder im Dunkeln- lhe daria prêmios na Suíça – o Blaue Brillenschlangue e na Áustria – o Austrian Children Blooks Award.
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Capitular: o podcast da Oficina Raquel

O que é Podcast? Segundo Tecmundo, “Podcast é uma forma de transmissão de arquivos multimídia na Internet criados pelos próprios usuários. Nestes arquivos, as pessoas disponibilizam listas e seleções de músicas ou simplesmente falam e expõem suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, como política ou o capítulo da novela. Pense no podcast como um blog, só que ao invés de escrever, as pessoas falam. “

Durante o isolamento social, muitas ideias surgiram para o ano de 2020 na Oficina Raquel, mesmo com tantos obstáculos. Uma delas foi a de criar um podcast onde pudéssemos nos aproximar de nossos leitores de uma forma leve e divertida.

Intitulado “Capitular”, o nosso podcast foi feito com muito carinho para que vocês apreciem cada segundo. Tem de tudo um pouco: bastidores dos nossos livros, um bate-papo sobre mercado editorial e até o bloco do Crush Literário 💜

O episódio piloto já está sendo finalizado e será divulgado em nossas redes sociais assim que for postado. Nele falaremos sobre PODOSFERA LITERÁRIA, O que a literatura tem que move tanta gente?, a preferência pelo podcast ou clube do livro e se a literatura é responsável por dar notícia.

O time de podcasters será formado por Raquel Menezes e Jorge Marques, nossos editores; Yasmim Cardoso, nossa assistente editorial e um querido parceiro da Oficina Raquel: Mario Marcio Felix.

Não perca e siga nossas redes para acompanhar esse grande lançamento!

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Livro como esse você nunca viu… e nem eu!

Lançado. O meu primeiro livro já está disponível para os leitores. A escrita é o meu mundo, por formação, por convicção e por missão.
Já cultivei dois blogs que pereceram nos servidores da vida, e cujos textos agora  estão neste meu primeiro livro, o Histórias de Cego. Trata-se do livro de crônicas de uma pessoa cega, no caso eu. São pequenas histórias, todas verdadeiras, contando passagens curiosas da minha vida, com o objetivo de mostrar para as pessoas que a minha vida não é escura e triste quanto se pensa. Sim, a existência de um cego não é apenas dar de cabeça nos postes da vida, embora seja isso também.

Já dei palestra para 3 mil pessoas, tenho vídeo no canal do Youtube com 1,3 milhão de visualizações… Mas escrever um livro é uma emoção diferente. Vou entrando devagarzinho nesse mundo que ainda não conheço, agora sou autor de livro. E que difícil ainda acreditar nisso! Um projeto engavetado por tantos anos até que a editora Oficina me mostrou que era possível. Daí veio a campanha, e foi uma conquista ter podido obter no Catarse os fundos necessários para que o sonho decolasse.

Há algumas semanas participei de um debate no Esquenta Primavera, minha primeira aparição nessa nova condição de autor. É ainda estranho pensar que sim, existe um livro escrito por mim. É encantador pensar que pessoas que eu não conheço estarão lendo as histórias escritas por mim. Se o meu maior problema, longe de ser a deficiência visual, é a falta de acessibilidade e o preconceito, espero que esse livro sirva como uma ponte para uma sociedade mais justa e mais igual, que trate a pessoa com deficiência com naturalidade, bom senso e empatia.

Mas chega de falar do livro. Convido vocês a lerem e tirarem suas próprias conclusões. Porque livro como esse você nunca viu, e nem eu.

Adquira aqui o livro Histórias de cego.

Marcos Lima é jornalista, palestrante, youtuber e o criador do canal Histórias de cego,
que atingiu mais de 180 mil inscritos e 4.3 milhões de visualizações. Em seus vídeos,
Marcos conta de forma leve e divertida o cotidiano de uma pessoa cega.
Se formou em jornalismo pela UFRJ, e é um dos fundadores da Urece Esporte e
Cultura. Amante de esportes, jogou futebol de cegos por alguns anos, se tornou em 2008
o primeiro cego brasileiro a esquiar na neve, trabalhou na copa do mundo 2014, nos
jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
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Dia do Orgasmo

Hoje é o dia do orgasmo. As pessoas chegam a publicar stories sobre o assunto, e em certas rodas de conversas de amigas quantas vezes já não se foi perguntando quem não teve um orgasmo? Então, eu gostaria de falar em especial para vocês, mulheres. Temos um histórico social e cultural em que as mulheres não podiam se permitir sentir nada. Depois, já podiam passar a sentir, para no fim, “queremos sentir”. Hoje, no século XXI, chegamos ao paradoxo de que se eu posso, DEVO ter um orgasmo.

“Se eu não tenho um orgasmo, então eu tenho um problema ?”

Não necessariamente. A questão é que quando ficamos presas a tentativa de chegar a um lugar (orgasmo), perdemos o prazer no meio do caminho. Precisamos aproveitá-lo, nos conhecer, saber o que é bom ou não e tudo isso é processo. É um processo não conhecido por muitas, já que temos uma passado tão repressor.
E olhe, não se engane, sou totalmente a favor do orgasmo. Só não deveríamos nos preocupar tanto com ele, já que o caminho pode ser tão prazeroso quanto a consequência.

Para comemorar esse dia e celebrar a pré-venda do livro 69 poemas e alguns ensaios, nós da Oficina, juntinho com a editora Jandaíra estamos preparando uma comemoração para você, querid@ leitor@ que está em busca de prazer. Teremos uma live para comemorar a pré-venda da antologia “69 poemas e alguns ensaios”, que teve apoio curatorial das @mulheresqueescrevem.
Lizandra Magon, Raquel Menezes, Seane Melo e a terapeuta sexual Mariana Perdigão vão bater um papo sobre poesia e gozo. E quem estiver assistindo, vai concorrer a uma surpresinha que preparamos em parceria com o @horadaaventura.sexshop.
Vai perder? Acho que nao né… Entre aqui para assistir 💜

Falando em 69 poemas e alguns ensaios… a antologia erótica já está disponível para pré-venda no nosso site, diretamente nesse link.

Mariana Perdigão é graduada em Psicologia pela PUC- Rio, com formação e especialização em Terapia Cognitivo- Comportamental. Formada em terapia cognitiva-sexual.
Instagram: @vinculos.tcc
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“A amizade é um amor que nunca morre”

O título deste texto pegamos emprestado de Mario Quintana. Amizade é dessas coisas bonitas, que guardamos na memória. Todo mundo tem amigo. Um melhor amigo. Muitos amigos. Amigos do bar ou amigo que a qualquer hora vai te atender. O amigo que fica tão feliz pelo seu sucesso como se o seu sucesso fosse o dele. Amigo que puxa a orelha com amor. Amigo que quando se vai é dor certeira. Amigo é bom que podemos ter dois, três. Cinco! “Eu quero ter um milhão de amigos” diria a canção.

Na literatura temos muitas amizades, como a de Sancho Pança e Dom Quixote, apesar dos pesares a de Bentinho e Escobar. E os autores também têm outros autores como amigos, como é o caso de Cecilia Meireles e Mário de Andrade ou Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

O Dia do Amigo é uma data proposta para celebrar a amizade entre as pessoas. No Brasil, Uruguai, Argentina e Moçambique a data mais difundida para esta celebração é 20 de julho, aniversário da chegada do homem a lua. Em 27 de abril de 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu convidar todos os países membros a celebrarem o Dia Internacional da Amizade em 30 de julho.” Sabia disso?

Pensando nessa data tão especial, a Oficina Raquel decidiu que, por aqui, um dia não basta e teremos o mês do amigo. Para comemorar, elaboramos 5 kits para vários gostos: autoria feminina, política, literatura portuguesa, infanto-juvenil e LGBTQIA+. Além disso, temos o vale-desconto AMIGODOLIVRO que oferece desconto de 20% nas compras acima de 60 reais. Bom né? Dá pra comprar pra você e pro seu amigo.

E não para por aí… Temos também nosso concurso cultural. Para participar você precisa curtir nosso post, repostar nas suas redes e escrever sobre amizade. Confere as regras em nosso instagram: @oficinaeditora.

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Antropoceno, Gaia e Ecofeminismo

Conexão entre o cuidado e a natureza: os mesmos adjetivos causadores da violência
contra os corpos femininos também levam às mazelas ambientais.

O Antropoceno corresponde a uma nova era inaugurada como marco temporal geológico, como diz o químico Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel. As ações humanas na depredação da natureza fazem da espécie Homo sapiens uma força geofísica capaz de alterar as condições biotermodinâmicas do Planeta, na acidificação dos mananciais hídricos, nas mudanças climáticas e na redução da biodiversidade.

O prefixo Antropo relaciona-se às atividades do homem. Porém, não se engane. Ainda que trocasse o termo “homem” por “humanidade”, estaria longe de ser preciso. Não são todas as nações e povos do mundo que exploram a terra da mesma forma, ou melhor, não é todo
padrão de vida humana. Termos como “humanidade”, “nações”, “povos” podem dar a falsa ideia de igualdade homogênea no trato com a natureza.

A tentativa de dominação e de desenfreado explorar do meio ambiente como se fosse um recurso à disposição humana é a exata causa dos problemas ambientais. Os agentes que mais contribuem para o desmantelamento da natureza não são aqueles que irão senti-la de plano.
As desigualdades de sexo, raça, gênero e poder aquisitivo evidenciam um verdadeiro separatismo entre quem ocasiona e quem sofre os efeitos da Era do Antropoceno.

Tendo esse aspecto em mente, outra crítica contundente sobre a Era do Antropoceno reside na colocação da humanidade como sujeita preponderante em uma narrativa na qual se dissocia da natureza, fazendo-a de simples objeto. Em verdade, em verdade, te digo: a presença humana é um pequeno fragmento da narrativa do Planeta Terra, muito anterior ao surgimento de nossa espécie. Assim, a Hipótese de Gaia aquilata e complementa a ideia do Antropoceno.

Teoria pensada a muitas mãos, a Hipótese de Gaia tem no ambientalista James Lovelock e na bióloga Lynn Margulis as principais referências. Em palavras diretas, a separação entre mundo natural e mundo cultural do ser humano não existe, pois toda a existência, seja ela orgânica ou
não, tenderia a se unificar em homeostase. O Planeta possuiria um controle adaptativo que se defende em retroalimentação para o equilíbrio. A espécie que ameaça é eliminada.

Ou seja, os seres humanos – muito mais uns do que outros – têm cavado a cova de sua espécie ao tentar dominar a natureza, sem se reconhecer enquanto uma parte de um todo ambiental, na falsa expectativa de sermos mais importantes do que de fato somos. Obviamente parte da população mundial com mais recursos econômicos pode demorar a sentir os problemas ocasionados. Mas todas as pessoas irão presenciar os desastres.

E o ecofeminismo nisso tudo? Propõe soluções harmônicas ao indicar os valores tipicamente atribuídos ao feminino como o caminho para a nossa coexistência na Terra. O cuidado, enquanto parâmetro ético replicável por qualquer ser humano, é a ferramenta eficaz para nossa vida no Planeta, a Casa Comum. Por meio da retomada de antigas práticas em consonância com novas técnicas é possível enxergar um futuro que honre no presente o seu passado. A agroecologia, o conhecimento das plantas, os bioabsorventes, os biocosméticos e as formas de compostagem são alguns exemplos.

A chave principal para o entendimento ecofeminista diz que a cultura mais bem valorada pela nossa sociedade é assentada em valores patriarcais que privilegiam ações tipicamente associadas ao masculino, tais como, dominação, exploração, tomada de força, império do
poder sobre a natureza.

Vanessa Lemgruber é mestra em direito, advogada, mediadora jurídica e autora do livro Guia
Ecofeminista: mulheres, direito, ecologia (Ape’Ku).
Acompanhe Vanessa pelo instagram @ecofeminist.lab

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A quebra de paradigmas na literatura de Maria Teresa Horta

A literatura de Maria Teresa Horta é assinalada por pontos de entremeio entre a revelação do universo feminino e a revolução por meio da escrita. Esses pontos se ligam através de uma poética marcada pelo erotismo e pela transgressão das formas convencionais. A autora foi uma ativista importante na luta contra a ditadura salazarista e pode ser inserida no centro da literatura de autoria feminina em Portugal, uma vez que é inegável a importância que suas obras têm para consolidar uma literatura que descentralize o discurso canonizado.

Se analisarmos o plano temático que perpassa as obras da autora, desde a década de 60, nos deparamos com temas que, por muito tempo, ficaram no interdito: a sexualidade feminina, o erotismo, a loucura etc. Esses assuntos andavam na contramão do que era esperado e daquilo que podia ser produzido na literatura durante o salazarismo. É sempre bom lembrar que em governos ditatoriais as mulheres (assim como outros grupos marginalizados) são as primeiras que sentem na pele a repressão e são forçadas a regredir aos valores conservadores que as oprimem. Ao trazer essas questões à luz, Teresa almeja exaltar o corpo feminino através da quebra de paradigmas, sobretudo de dois : a relação materna e o erotismo.

A quebra do primeiro se dá desfazendo a noção de maternidade que por muito tempo se resumiu a dom e a instinto. As mulheres, nas obras de Teresa, desejam ser como suas mães, ao passo que há admiração e paixão por elas, mas também desassociar-se delas, porque há o medo da repetição. O conto Transfert, presente na antologia Azul Cobalto, conta a história de uma mulher que leva ao divã suas questões familiares, dentre elas o abandono da mãe, que era taxada como louca. O enredo aponta, assim, para a condenação à loucura das mulheres que fogem de determinados padrões estabelecidos pela sociedade – questão essa que Teresa sempre trabalhou em sua literatura, por exemplo nas obras Emma (1984) e Paixão Segundo Constança H. (1994).

A personagem de Transfert sempre contou com deslocamentos em relação à sua própria figura. Como ela poderia construir-se sujeito em um meio que a inferioriza? É primordialmente pela busca dessa resposta que ela vai ao divã. Os processos de descoberta e interpretação do universo feminino envolvem como ponto de partida a questão de que para descobrir-se enquanto mulher é preciso descobrir primeiro o que é ser mulher, ainda mais quando a referência da imagem materna é tão fragmentada.

As mães horteanas são figuras que deixam um lugar de falta na vida das personagens, porque são mulheres também faltosas e não heroínas. Essa questão reflete a estrutura da cultura patriarcal de cindir as mulher em dois tipos: a mãe, mulher do lar, pura, livre de desejos e a outra, que não é mãe e não pode viver no espaço familiar sagrado. Nas obras de
Teresa há a união dessas metades: as mães são anjos, mas também podem ser o oposto disso. Essa união é um sinal de reivindicação contra a imposição da maternidade romantizada e compulsória.

É válido ressaltar que a maternidade e a família não são imposições que sempre foram colocadas contra a vontade da mulher. O casamento, por exemplo, é visto no século XIX, como uma via libertação às mulheres que desejavam viver suas vidas, construírem suas famílias e saírem da casa dos pais. O problema reside na limitação que esse espaço oferecia, isto é, as mulheres que não eram casadas e mães praticamente não existiam na sociedade e se eram, não tinham espaço na produção de outras atividades para além do círculo doméstico. Além disso, muitas delas, que acreditavam encontrar a liberdade na criação de sua própria família, frustraram-se ao depararem-se com a sobrecarga de afazeres. Na crítica, a psicanalista Maria Rita Kehl explana esse argumento, e na literatura Emma Bovary, personagem de Flaubert, é uma boa ilustração de tal quadro social.

Outro ponto que faz com que a mulher se ressignifique nas obras da autora é o erotismo: é importante lembrar que ele sempre existe dentro de uma sociedade com valores estabelecidos, isto é, a forma como é manifestado diz muito sobre a organização social de um espaço. Sendo assim, como o espaço destinado às mulheres historicamente foi limitado, o erotismo feminino também esteve no interdito por muito tempo. Se a mulher, diferente do homem, não transitava livremente entre o espaço público e privado, mas devia limitar-se ao espaço do lar, limita-se também ao amor familiar e não pode ter acesso a realização do desejo erótico. É a partir dessas concepções que Teresa transfigura a cena erótica, pois insere em suas obras o exercício erótico sendo realizado livremente pelas mulheres. Ele se torna então via de libertação do corpo feminino e Teresa o coloca no centro de sua poesia.

Indo mais além, ela pretende construir uma aglutinação entre poesia e erotismo, o corpo do poema erotizado é o corpo da mulher livre. No poema Encontro, presente na antologia “Poemas Eróticos”, isso fica muito claro: o que está em jogo desde o começo é o encontro do corpo do poema e do corpo da mulher: “Porque construo/ os meus livros/ a partir do próprio corpo.”, há uma união da mulher com o poema, na tentativa de elevar o corpo que sempre foi repudiado: “encontro do meu/ corpo/ com o corpo da poesia”.

Esses dois pontos fundamentais da literatura de Teresa, que tentei mostrar aqui brevemente, apontam para um diálogo muito importante que ainda hoje deve estar em pauta. Conquistamos muito, de modo que as mulheres horteanas já não são mais tão diferentes de nós, mas não podemos achar que tudo já foi conquistado, pois estamos vivendo uma crise que mostra que não. Dados alegam que, na quarentena, a violência doméstica cresceu 40% e que as tarefas das mulheres redobraram (cuidar dos filhos, da casa, do trabalho). Ainda precisamos quebrar paradigmas, como Teresa tentou em sua literatura, para a sociedade não continuar repetindo o erro de sempre cindir a mulher e condená-la. O elogio ao íntimo, o encontro com nós mesmas, necessita estar presente e por isso digo que a literatura de Teresa ainda é pauta para o agora.

Carolina Marcondes tem 21 anos e estuda Letras na Universidade de São Paulo, português e italiano. É professora de literatura e redação e apaixonada por livros! “Literatura é fundamental para a minha vida e vejo como um caminho possível para construir-se uma pessoa sempre melhor.” Também adora assistir séries, ouvir música e cozinhar!