Publicado em Deixe um comentário

Salão do Livro Político e Feira do Livro da UFPR

            A Oficina Raquel está sempre presente nos principais eventos online. Dessa vez não será diferente, estaremos em 2 grandes eventos: o VI Salão do Livro Político e a 40ª Semana Literária e XIX Feira do Livro UFPR.

            Em tempos pandêmicos em que vivemos, essa é uma boa opção para resguardar os nossos leitores e, ao mesmo tempo, continuar em atividade literária intensa em quanto não “voltamos à normalidade”.

            No início do ano, entre os dias 19 e 23 de abril, a Oficina Raquel promoveu o evento Rio que Lê, Foram 5 dias com o intuito debater e traçar planos para formar uma nova geração de leitores no país. O foi voltado à formação continuada de professores, educadores, agentes de leitura, bibliotecários e outros profissionais que batalham no dia a dia para que nossas crianças, jovens e adultos adquiram o gosto e o hábito pela leitura.

Ainda teremos muitos desdobramentos do Rio que Lê.

            O VI Salão do Livro Político acontecerá entre os dias 24/09 e 03/10, trazendo a nata das obras voltadas ao pensamento político. A Oficina Raquel preparou uma seleção de livros com 20% de desconto através do cupom VISALAO:

  • 2016, O Ano do Golpe;
  • Ato Poético – Poemas pela Democracia;
  • Brasil em Transe: bolsonarismo, nova direita e desdemocratização;
  • Lugar de Mulher – Feminismo e política no Brasil;
  • Manifestações no Brasil – As ruas em disputa;
  • Sem Título – uma performance contra Sérgio Moro;
  • Cidade Feminista – A luta pelo espaço em um mundo desenhado por homens;
  • Cultura de Paz;
  • Mulher, Empoderamento e Legado;
  • Nas Trincheiras da América Latina – Lutas pelo passado, política de memória e justiça de transição no sul da Europa e na América do Sul.

A 40ª Semana Literária e XIX Feira do Livro UFPR acontecerá de 28/09 a 01/10, sob o tema “Literatura: porque outro mundo é possível”. Durante essa semana literária, a Oficina Raquel dará 20% de desconto em seu catálogo através do cupom OFICINAUFPR20. Lembrando que o desconto não é acumulativo com outros cupons.

**Lembramos que o cupom só estará funcionando nos dias do evento.**

            Acompanhe as nossas redes sociais para ficar por dentro das novidades.

Estamos no Instagram @oficinaeditora e no facebook Editora Oficina Raquel.

Publicado em 1 comentário

Cem anos de Paulo Freire – Uma homenagem

 No ano em que é comemorado o centenário de Paulo Freire, é importante celebrar a atualidade e a presença incontornável de seu pensamento nos rumos da Educação.  Por isso, a Editora Oficina Raquel convida você, professor/professora, a nos ajudar a homenageá-lo.

Envie seu ensaio ou relato de experiência acerca da obra do grande educador. Nosso objetivo é reunir os melhores textos em livro, a ser publicado ainda em 2021. A publicação tenciona não apenas tornar significativo o pensamento freiriano para a contemporaneidade, mas também oportunizar aos profissionais da Educação uma publicação de referência que os ajude a ressignificar práticas escolares a partir das concepções de Freire. Serão aceitos textos advindos de autores/as atuantes em quaisquer segmentos da Educação Básica e vinculados/as às mais variadas disciplinas ou áreas de Ensino.  As contribuições podem ser enviadas por profissionais do Brasil ou de outros países, desde que escritas em Língua Portuguesa.

Em 2012, Paulo Freire passou a ser reconhecido oficialmente como patrono da educação brasileira, a partir da lei nº 12.612. No entanto, observa-se, na história recente de seu próprio país de nascimento, que a memória do autor vem sofrendo diversos ataques de setores tradicionalistas que tentam deslegitimar seu legado. Segundo alguns especialistas, tal fato pode ser atribuído ao desconhecimento ou leitura superficial de sua obra e também, especialmente, ao temor causado por seu impacto na construção de uma educação cada vez mais comprometida com a justiça, a defesa do meio ambiente e a liberdade de expressão.  A despeito disso, segundo estudos apresentados na última edição da ANPED (2020), na América Latina existem, atualmente, 24 cátedras, 7 institutos, 1 universidade e 52 Grupos e Redes de Pesquisa, sendo, no Brasil, 1 Instituto, 10 cátedras e 46 grupos e Redes de pesquisa sobre o autor e sua obra. Tais dados atestam a forte presença de Paulo Freire não só como objeto de estudo, mas também como norteador de um pensamento e prática pedagógicos, que se estendem para além de seu tempo.

 Pensando na força dessa presença de Paulo Freire, sobretudo nesses tempos tão desafiadores, a Editora Oficina Raquel propõe a publicação de uma coletânea de textos em homenagem ao centenário do educador. A obra a ser produzida será fruto de uma escrita coletiva, a partir do convite a educadores, assumidamente comprometidos e identificados com a contribuição do autor, dispostos a partilhar suas ideias e inspirações, pautadas pelo legado Freireano e evidenciadas em suas práticas cotidianas.  Trazer a presença de Paulo Freire no fazer e na escrita de educadores deste tempo, reafirma a força viva de seu pensamento, não para reproduzir fielmente suas ideias, mas, assim como ele mesmo preferia, para ressignificá-las, tomando-as para si, num gesto criativo e potente que faz ecoar seu legado, traduzindo a essência da leitura de mundo, que precede a leitura da palavra.

Convite aos educadores

 A ideia de produzir uma obra, escrita a várias mãos, reunindo visões e sentimentos de educadores que, por convicção e opção pedagógica, caminham em sintonia com uma Pedagogia Freireana tem como propósito favorecer o diálogo em suas múltiplas possibilidades (dos autores dos textos com o autor homenageado, dos autores entre si e dos leitores com a obra), materializando na coletânea de textos a serem escritos, a homenagem ao homem centenário, educador a frente e para além de seu tempo, que se por aqui ainda estivesse, certamente muito teria a nos dizer sobre tudo o que estamos vivendo, provocando novas reflexões e fazeres.  Por isso, o convite para integrar essa obra parte do desejo de ouvir diferentes vozes que, de algum modo, e em algum momento de suas trajetórias pessoais e profissionais, foram atravessadas pelo pensamento do autor e, provavelmente, dele têm se utilizado, como bússola, para enfrentar a tempestade sem perder o rumo e construir, com esperança otimista, novos cenários .  O que a obra de Paulo Freire tem a nos dizer, especialmente neste momento da educação no Brasil e no mundo? Como Freire se faz/fez presente em minha ação/trajetória? Que conceitos freireanos são /foram chaves importantes para nortear minhas opções como educador/educadora?  Estas são algumas das questões que podem conduzir as narrativas. Fica aqui reafirmado o convite!

Organização do projeto

O projeto é realizado pela Oficina Raquel com curadoria de Simone Monteiro 

 Mestre em Educação (PUC-RJ), pedagoga, especialista em Alfabetização (UFRJ) e em Midia, Tecnologias da Informação e Práticas Educacionais (PUC-RJ). Professora da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro desde 1985.  Atualmente é Assessora de Articulação Pedagógica na MULTIRIO, empresa pública municipal de multimeios em educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria Municipal de Educação

Cronograma

 – 10 de junho de 2021: lançamento do formulário de inscrição;

– 10 de junho a 30 de agosto: envio dos textos;  Prorrogado para 15 de setembro.

– até 30 de setembro: análise dos textos recebidos;  Prorrogado para 15 de outubro.

– 10 de setembro: devolutiva aos autores; Prorrogado para 30 de outubro.

 

Publicado em 1 comentário

Entrevistando a Sexpert Francesa Maïa Mauzarette

A sexpert Maïa Mauzarette é colunista do jornal Le Monde e sua coluna é a mais lida do jornal. A Oficina Raquel traz uma coletânea inédita das suas melhores colunas ao Brasil.

Oficina Raquel: Como você avalia a recepção da sua coluna? Sabemos que este é uma das mais lidas. Mas você acha que as pessoas estão colocando em prática seus conceitos pré-sexuais construídos décadas atrás?

Maïa Mauzarette: É uma questão difícil: eu não posso (felizmente!) espionar o que as pessoas fazem em sua vida privada (tenho certa ideia de suas práticas em geral, a partir de estatísticas, mas não tenho ainda dados que revelem o impacto de minhas crônicas – o que seria, sem dúvida, divertido). Enquanto espero que eu consiga me teletransportar para o quarto de meus leitores e minhas leitoras, continuo humilde: as representações ligadas à sexualidade são milenares, necessariamente leva tempo para modificá-las. A contracepção data de apenas duas gerações atrás: mesmo que seja apenas para colocar a questão da sexualidade como lazer, tudo é muito novo. Fico às vezes frustrada, é claro, pois eu desejaria que as pessoas que estão entediadas, ou que acham que já tentaram de tudo, se questionassem. Mas também sei, porque recebo muitos e-mails, que as pessoas experimentam e renegociam após minhas crônicas: não uma em particular, mas seu acúmulo, semana após semana. E fico muito orgulhosa disso.

OR: Durante o processo de tradução e revisão do seu livro, tivemos muitas discussões interessantes e divertidas (muitas vezes online devido à pandemia). O propósito dessas colunas é fazer o leitor pensar levemente sobre as muitas possibilidades quando se trata de sexo?

MM: É claro ! E funciona. Sei que defendo um ponto de vista minoritário (sou especialista em sexo, não é uma expertise muito comum, e me definiria como muito reservada em relação à monogamia, e francamente queer em minhas utopias) … mas jamais procuro convencer . O que me interessa é a inteligência de leitores e leitoras – que fazem a segunda metade do trabalho, aquela que consiste em se posicionar em relação aos fatos e ideias que lhes ofereço. Eu não acho que estou “certa”. Em sexualidade, de qualquer maneira, o que isso significaria? Por outro lado, acho que proponho uma grade de leitura coerente do mundo (e isso já não é ruim) – uma grade sobretudo alegre e inventiva. Também gosto muito de abrir horizontes, abordar a sexualidade como cultura e não apenas como prática, como algo político e não apenas pessoal… Pode ser arrogante, mas acredito que meu trabalho seja útil. (Na pior das hipóteses, diverte o leitor!)

OR: Como você acha que está indo a vida sexual das pessoas durante o isolamento social e a pandemia?

MM: Na França, é muito equilibrado: um terço das pessoas está bem, um terço está infeliz, um terço não mudou seus hábitos. Também é irritante para mim porque nenhuma linha clara se delineia. Por outro lado, o que é interessante é o aumento das desigualdades: casais que já estavam bem estão se saindo melhor, casais que estavam mal estão piorando ainda mais. Solteiros aventureiros continuam suas aventuras, solteiros conservadores não encontram ninguém. A crise funciona como um indicador. Mas ficarei muito feliz quando sairmos disso.

OR: Você gostaria de mandar uma mensagem para o leitor brasileiro?

MM: Acima de tudo, gostaria de enviar-lhes minha compaixão: na França, acompanhamos muito as notícias do Brasil diante da pandemia. Não podemos (ainda) nos aproximar e segurar a mão de vocês, e sei que as minhas palavras não pesam, mas pelo menos: não somos indiferentes.

Confira o livro da Maïa através desse link: https://www.oficinaraquel.com.br/livro/o-sexo-segundo-maia-alem-das-ideias-aceitas/

Publicado em Deixe um comentário

Por que mentir?

Tudo é mentira nesse livro: não só os contos, mas os elogios da contracapa e o texto das orelhas, o prefácio e o posfácio, tudo, enfim.

Se esse exemplar na sua mão tiver uma dedicatória escrita por mim, ela também é mentira. (Toda dedicatória que escrevo é sempre mentirosa: um microconto que invento na hora e escrevo ao vivo. Somente o nome da recipiente é real.)

Mas por que mentir? Por que escrever dedicatórias apócrifas, orelhas fajutas, biografias falsas? Por que tanto desrespeito à pessoa que está lendo? Por que perder tempo em brincadeiras bobas? Por quê? Para quê? Ou, mais fundamentalmente, no meio de uma pandemia global, para quê escrever ficção?

Vivemos a Era da Mentira.

Hoje, temos na presidência do Brasil e dos Estados Unidos dois homens eleitos na base de notícias falsas.

Por outro lado, essas notícias falsas se tornaram um problema justamente porque as pessoas estão tão céticas que, em seu ceticismo crédulo, acreditam ingenuamente em qualquer teoria alternativa dos fatos.

Um dos grandes paradoxos dos tempos atuais é que foram exatamente as pessoas mais céticas e cínicas que se tornaram as maiores crédulas e ingênuas. (Antes da pandemia, que roteirista teria incluído em seus filmes uma comunidade de “negacionistas do apocalipse zumbi”?)

Todos os dias, nas redes e aplicativos, somos bombardeadas por uma saraivada de mentiras, mas não apenas mentiras: mentiras que batem retumbantemente no peito para se proclamar verdades, mentiras orgulhosas de serem as únicas verdades, mentiras que insistem representar a verdadeira verdade.

Nesse mundo, o que pode ser mais subversivo do que uma mentira que se afirma mentira? Nesse contexto, o que pode ser mais revolucionário do que uma mentira que se gaba de ser mentira?

Sou bacharel em História. Fui treinado para pesquisar e investigar, descobrindo assim a verdade sobre os fatos do passado.

Sou escritor de ficção. Passei a vida inteira inventando histórias que nunca aconteceram com pessoas que nunca existiram.

A verdade está no centro do meu trabalho, seja para buscá-la ou evitá-la. Tudo o que faço profissionalmente diz sempre respeito à verdade, seja reflexão ou discurso, ataque ou defesa, repudiação ou fuga.

Chamamos ficção de ficção porque não queremos chamá-la por seu nome verdadeiro. Ficção é mentira. Um livro de contos é um livro de mentiras. Mais importante, é um livro de mentiras que nunca te engana sobre o fato de ser um livro de mentiras.

A leitora distraída, se abrisse esse livro na livraria e lesse somente uma orelha, talvez até se deixasse enganar.

Mas bastaria ler a outra orelha para detectar a discrepância e sentir o estranhamento. Afinal, ambas se contradizem e se anulam.

Talvez pensasse que ou uma orelha ou a outra teria necessariamente que ser mentira.

Talvez se desse conta que poderiam as duas ser mentira.

Talvez (quem sabe!) pecebesse até mesmo que toda orelha de todo livro é sempre mentira.

Afinal, o que é uma orelha de livro senão uma narrativa ficcional para criar uma persona vendável ou prestigiosa para a pessoa autora? (Com ou sem foto? Foto de rosto ou de corpo inteiro? Foto na praia ou na biblioteca? Melhor citar os títulos acadêmicos ou os títulos dos livros publicados? As esposas ou os filhos? As viagens ou as falências?)

Se as orelhas são mentira, o que dizer então dos prefácios e dos posfácios? Dos elogios da contracapa e dos agradecimentos finais?

E não só desse livro, mas de todos os outros que já li, pensaria a hipotética leitora: esses livros em quem tanto confiei.

Ou, talvez, distraída e desinteressada, simplesmente colocasse o livro de volta na mesa e fosse comprar um Moleskine.

***

Um editor se recusou a publicar esse livro (chamado Mentiras Reunidas, vamos lembrar) por causa do excesso de mentiras.

O livro é de ficção, respondi.

Ora, nas orelhas, na biografia, nos elogios da contracapa não pode.

Mas por quê? Se o livro é ficção, por que não ser tudo ficção?

A verdade é que é tudo mentira.

A mentira é que nada é verdade.

Alex Castro,
Copacabana, 6 de janeiro de 2021

Deseja adquirir o livro Mentiras Reunidas, na pré-venda? Clique aqui e compre o seu com direito a brindes exclusivos e um exemplar em capa dura.

Alex Castro (1971-2021) não teve filhos.

Foi melhor amigo de: Dolly (1978-89), Júnior (1990-92), Átila (1993-2002), Oliver (c.2001-14) e Capitu (2014-21).

Amou e foi amado por: Diane (2001-04), Liloló (2005-10), Vívian (2010-12), Outra Significativa (2012-15), Carolina (2015-18) e Marina (2018-21).

Escreveu: Mulher de um homem só (2009), Onde perdemos tudo (2011), Outrofobia (2015), Atenção. (2019) e Prisões (2021, póstumo).
Publicado em 1 comentário

Oficina do livro na Flip

Com a crise estabelecida pelo novo coronavírus e a necessidade real de distanciamento social, os grandes eventos literários sentiram-se impelidos a migrar para a internet. Com a Flip não foi diferente, se antes Paraty era o território que desde 2003 a abriga, no contexto da pandemia ele incorpora uma dimensão virtual importante.

Nesse contexto de Flip Virtual, a Oficina Raquel apresenta a Oficina do Livro. Com a curadoria de Leonardo Neto, editor-chefe da Publishnews e autor do livro 100 nomes da Edição no Brasil e de nossa editora Raquel Menezes, Oficina do Livro falará do mercado editorial para o público em geral. As mesas do evento serão realizadas virtualmente nos dias 08 e 09 de fevereiro através das redes sociais da Flip, como Youtube e Facebook.

A Oficina do livro tem apoio do Escritório do Livro da Embaixada da França no Brasil e da MVB (Metabooks).

8/fev

14h Jornalismo literário
Maria Fernanda Rodrigues

Taty Leite

Richard Gaitet 

Mediação: Leonardo Neto

16h Agenciamento literário: os bastidores da aquisição de direitos autorais
Luciana Villas-Boas

Cassiano Elek Machado

Barbara Edun

Mediação: Leonardo Neto


18h Livros pra ter, Livros pra ler: o livro como um objeto de desejo
Daniel Lameira

Cecilia Arbolave

Esther Szac 

Mediação: Raquel Menezes


 9 /fev
14h O livro nas ruas: as livrarias ocupam as cidades
Rui Campos

Monica Carvalho

Anaïs Massola

Mediação: Leonardo Neto


16h Como os quadrinhos leem o mundo
Maria Clara Carneiro

Aline Zouvi

Fabien Toulmé (a confirmar)

Mediação: Leonardo Neto

18h Criação: do original ao livro pronto
Felipe Castilho

Vagner Amaro

Raquel Matsushita

Mediação: Raquel Menezes

Publicado em Deixe um comentário

Oh, margem! Reinventa os rios!

Oh, margem! Reinventa os Rios!
Cidinha da Silva
Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2020.
126 p.

Não tinha começado a ler propriamente o texto de Cidinha quando meu olho encheu d’água pela primeira vez, a gente engasga já na carta que abre o livro, de Maria Valéria Rezende. A autora menciona ferida ainda aberta, o assassinato de G. Floyd, embora nenhuma dessas feridas cicatrizem de fato. Como pode a menção a um fato tão conhecido e explorado ainda emocionar? Trata-se de identificação, com o desespero, desesperança, com o abatimento do luto sim, mas, acima de tudo, com a força e esperança de uma sentença “não voltaremos mais para trás!”.


E esse ir pra frente, a reboque muitas vezes, acontece quando escutamos nossas histórias por nós mesmos, quanto dizemos o mundo tal como o vivemos e nos parece. Esse ir pra frente acontece por meio desta notável tecitura de histórias de Cidinha da Silva.


São vinte e dois textos divididos ao longo das quatro partes do rio, são histórias do cotidiano, em que por vezes é fácil nos identificarmos, como em “As latinhas”. A escrita é ágil, o olhar arguto, e por meio dele, mesmo nessas histórias por nós conhecidas, é possível perceber as tensões, os incômodos.


Conhecemos as personagens, por vezes somos essas personagens e ainda assim Cidinha consegue desvelar algo de nós, como se nossa realidade fosse construída por camadas e ela as levantasse e revelasse sua constituição.


Por vezes os temas são pesados: desigualdade, racismo, morte. Não há como ficar imune, há momentos em que o estômago revira, o sangue ferve e a indignação nos atravessa. É o caso de “Thriller”, a pancada que abre o livro, mas também de “Vocês não estão me ouvindo?” e especialmente de “O lugar de fala de quem se pergunta: em que inimaginável mundo novo vivemos?”, pelo qual nutro acalentada revolta pela distorção de discursos, pela tentativa de deslegitimar e assim calar falas, um modo covarde de matar o ser no mundo do outro.


Contudo, é preciso ressaltar que isso é só parte do livro, e aqui está o que o torna admirável: homens negros e mulheres negras não se resumem à dor e ao embate com o racismo cotidiano. Aqui temos textos deliciosos, memórias atravessadas de poesia como “Construção” e “A benzedeira”, ou engraçados como “Acabou, Norma! Acabou”, mas nenhum representa melhor esse “vício” de tomar a autoria negra como algo monotemático do que o texto “Solidariedade”, é maravilhoso.


Destaque ainda para o afluente deste livro, personalidades, criadores negros, que acabam por reforçar exatamente a pluralidade, diversidade de talentos. A surpresa de encontrar menção à Maria Tereza Moreira de Jesus, que tempos atrás, depois de eu ler alguns de seus poemas, tive que procurar muito para encontrar uma única foto da autora, ou de Evaldo Braga, que virou assunto aqui em casa, e ainda o texto sobre Simonal, que nos faz querer conversar mais com Cidinha, e lhe pedir: fale mais sobre isso. Embora esse seja o efeito geral do livro, querer mais dele.

_______

Esta resenha foi escrita pelo perfil @as_letras_negras no Instagram

Publicado em Deixe um comentário

Uma interpretação da poesia contemporânea

Ler livros acadêmicos costuma ser tarefa de especialistas, mas não é assim que tem que ser. Isso porque o livro é um espaço social comunitário. Qualquer pessoa letrada pode ler Platão ou Marie Curie, mesmo que não seja filósofa ou química. E não apenas por curiosidade, pois um professor que lê ciência, uma família que lê livros ou uma sociedade que valoriza a leitura, mais do que informadas, são pessoas que estão sempre perto de mudar as coisas, transformar vidas, deslocar modos de ver e de viver. 

A editora Oficina Raquel oferece um catálogo cuidadoso com a formação de leitores e se destaca pelo diálogo entre Brasil e Portugal. Livros de tamanho acessível e coleções com ensaios de intervenção convivem com uma bibliografia especializada de referência. Além disso, livros organizados com diversos autores, quando são resultado de uma organização efetiva, são bons exemplos de como conhecimento não se produz sozinho. 

Quando publiquei A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea pela editora Oficina Raquel, percebi que lançar um livro significava ocupar um espaço que extrapola as livrarias. O evento de lançamento, o catálogo da editora, as leituras que serão feitas, tudo isso é fruto de uma parceria entre autores e editores, numa relação profissional atravessada pela paixão pelas letras e também pelo desafio que as pequenas editoras têm de se manter como empresas. 

Uma editora não é apenas uma empresa, é um projeto cultural e, por ser um projeto cultural, imagina uma sociedade diferente. Posso dizer com alegria que as ideias sobre poesia e ensino de literatura que tenho compartilhado, como autor, com a editora Oficina Raquel participam de um projeto de cultura e sociedade que me interessa, um projeto marcado pela valorização da leitura, pelo diálogo cultural e pela democratização do livro.

Luiz Guilherme Barbosa é professor de português e literaturas no Colégio Pedro II. Publicou as plaquetes de poemas Pacote de maldades (7letras, 2019) e Postagens e antipostagens (kza1, 2018), e o livro A mão, o olho: Uma interpretação da poesia contemporânea (Oficina Raquel, 2014).
Publicado em Deixe um comentário

Entrevistando Leonardo Neto

Tudo começou com um projeto financiado pelo Catarse. Com o objetivo de fazer o leitor entender um pouco mais sobre a história do mercado editorial brasileiro, e consequentemente, um pouco da história do país. Leonardo Neto, editor do Publishnews, elaborou um livro que perfilasse editores que foram, ainda são e futuramente serão importantes ao longo dessa trajetória. Assim surgiu o livro 100 nomes da edição no Brasil, mas os detalhes você confere na entrevista que Léo nos concedeu.

Acompanhe:

Oficina: Leo, é um grande prazer ter você como realizador desse projeto conosco, aqui na Oficina Raquel. Conta aqui pros nossos leitores, quem é Leonardo Neto.
Leonardo: Bom… Leonardo Neto é um cara que nasceu no interior do Brasil e carrega isso como uma de suas coisas definidoras. Nasci em Goiânia. Lá, me fiz gente, jornalista e humanista por primazia. Aos 25 anos, resolvi me aventurar e vim parar em São Paulo. Aqui, atuei por muitos anos como assessor de imprensa de uma série de coisas na área da Cultura até conhecer Carlo Carrenho que me convidou, em 2014, para capitanear o PublishNews. Ali fiz amigos, conheci (e me apaixonei) mais sobre o mercado dos livros. Isso tudo me levou à Oficina Raquel.

Oficina: 100 nomes da edição no Brasil é um projeto daqueles que se encaixa no ditado “recordar é viver”. Como foram as conversas iniciais e as trocas de ideias para começar a materializar essa obra?
Leonardo: A ideia foi totalmente da Raquel Menezes, orgulhosamente a minha editora. Ela percebeu que havia uma lacuna no registro do mercado editorial brasileiro e achou que eu daria conta de escrever algo para preencher esse buraco. Quando ela me chamou, de pronto, me lembrei de uma conversa que tinha tido anos antes com Paulo Rocco a respeito disso. Topei na hora.

Oficina: Foi um processo bem laborioso e com um resultado excepcional. Conta pra gente: como foi, pra você, esse processo de pesquisa e produção?
Leonardo: Você tem toda razão. Foi muito trabalhoso! Muito mais difícil do que eu poderia supor. Passei a valorizar ainda mais o escritor depois dessa! Bom… escrever se tornou parte importante do meu dia. Escrevo diariamente. Mas, para escrever o livro, tive que reaprender. A disciplina – que muitas vezes me faltou – é fundamental! Para os perfis, realizei entrevistas, quando possível. Quando não, recorri a jornais de época (um salve importante aos acervos dos principais veículos de comunicação!), livros e trabalhos acadêmicos. Deixava a Raquel maluca porque muitas vezes começava a escrever e deixava “maturando” pra ver se era aquilo mesmo… Não raro reescrevi perfis… No fim saiu algo que tem me dado orgulho e isso, pra mim, importa muito.

Oficina: Sabemos que tem bastante gente que fez história no mercado editorial brasileiro, porém é necessário dar mais ênfase em alguns em detrimento de outros. Como foi fazer essa seleção minuciosa?
Leonardo: Não foi fácil. Ouvi muita gente para compor a lista. A cada entrevista, apareciam nomes que eu precisava avaliar se entrariam ou não no rol dos 100. Toda lista pressupõe uma limitação. O livro não vai conseguir dar conta de todas as pessoas que foram fundamentais para a indústria, mas eu tenho certeza de que há uma pluralidade e uma tentativa de mostrar o quanto o mercado editorial é diverso. Busquei não deixar temáticas de fora, indo além dos editores de obras gerais. Uma outra tentativa foi balancear o número de homens e mulheres. Historicamente, foi um mercado dominado por homens. Isso tem mudado radicalmente! E o livro mostra isso. As figuras masculinas dominam a primeira parte do livro – onde estão os editores históricos. Do meio pro fim, aparecem as mulheres e elas têm conquistado, felizmente, mais espaço.

Oficina: Agora é hora de se jogar: o que você diz pras pessoas que ainda não compraram o seu livro?
Leonardo: Olha! Se você acompanha o mercado do livro ou simplesmente tem curiosidade sobre os bastidores dessa indústria, você pode se interessar por 100 nomes da edição no Brasil. Compre e depois me diga o que você achou! <3

Agradecemos imensamente à Casa Projetos Literários, Book Market, LabPub, Julito Ibrahim, Câmara Brasileira do Livro, Sextante, NESPE e a cada um dos nossos apoiadores:

Adilson Bonalde de Souza Filho
Adriane Kiperman
Adriano Augusto Gomes Filho
Adriano Fromer Piazzi
Alessandra Johanna Gelman Ruiz
Alessandra Porro
Alessandro Thomé
Alfredo Weiszflog
Aline Naomi Sassaki
Amanda Mendes
Amir Piedade
Ana Cristina Alves de Paula
Ana Luiza Bassanetto
Ana Maria Santeiro
Andre Argolo
Andre Canelas Palme
André Franciosi
André Guimarães Teles
André Luis Souza
André Oliveira
André Picolo Pereira
Andreia Martinz Monteiro
Aníbal Francisco Alves Bragança
Anselmo Jose Bortolin
Antonio Bitiati
Antonio César Landi Júnior
Arthur Viani
Barbara Parente
Beatrice Medrado
Beatriz Grellet
Beatriz Hildebrand Comin Alves de Oliveira
Beatriz Silva Pereira dos Santos
Benjamin Magalhães
Bernadete Warmling
Beta Abreu
Camila Cabete
Camila Perlingeiro
Camila Villalba
Carina Matuda
Carlos Cassemiro Marques
Carolina Riedel Diomelli
Caroline da Cruz Alias
Cassia Carrenho
Cassius Medauar
Celso de Campos Jr
Cesar Americo Barreira Cardoso
Christian Botelho Borges
Christiane Ferreira Marques Neto de Bessa
Clara Állyegra Lyra Petter
Clara Monnerat
Claudio Gandelman
Clederson Matheus Rien Perez
Corina Campos
Cristian Fernandes
Cristina F F Fernandes Warth
Dani Costa Russo
Daniel Daudt Sagebin
Daniel Pinsky
Daniel Prestes da Silva
Daniel Rodrigues Aurélio
Daniel Souza
Daniela Kfuri
David Fernando Levon Alves
Diogo Souza Santos
Edemar Viotto Jr
Editora de Livros Cobogó
Editora Perspectiva Ltda
Editora Piu Ltda
Eduardo Cunha
Eliane Carvalho
Eliane Hatherly Paz
Elisabeth Paiva Silva
Elke Kropotoff
Everson Borges Lopes
Fabiane Verardi
Felipe Castilho de Lacerda
Felipe Rodrigues Sanches
Fernanda Marcondes de Oliveira Dantas
Fernanda Scherer
Fernando Nuno Rodrigues
Flávia Rosa
Flavia Togni do Lago
FLIMA Festa Literária Internacional da Mantiqueira
Gabriel Felipe Jacomel
Gabriel Tavares Florentino
Gabriela Dias
Gabriela Vescovi
Gilsandro Vieira Sales
Giovana Bomentre Hajjar
Giovanna Cianelli
Gisela Zincone
Gisele Ferreira
Gislene Lemos
Global Editora e Distribuidora Ltda
Graco Aurélio Câmara De Melo Viana
Graziella Beting
Guarda Chuva Edições
Gustavo Lembert da Cunha
Haroldo Brito
Helber Alves de Oliveira
Henderson Fürst
Henrique Farinha
Humberto Mendes
Iara Vidal Pereira de Souza
Inovação Distribuidora de Livros
Irene Ernest Dias
Isa Oliveira Poet’Isa
Isa Pessoa
Isabel Siqueira Travancas
Isatir Bottin filho
Iuri Pavan
Izabel Lima dos Santos
Izildinha Rodrigues
Jaime Mendes
Janda Montenegro
Jean Carlo Soares Russio
Jiro Takahashi
João Batista Neto
Jonas Gomes
Jonatas Oliveira
José Castilho Marques Neto
José de Souza Muniz Júnior
Joubert Caetano Amaral
Juliana Brandt Alt Vasconcelos
Juliana Di Fiori Pondian
Juliana Paula Almeida Cordeiro
Julio Cesar Augusto Sesma Da Cruz
Julio Cesar de Melo Silveira
Julio Cesar Domingas da Silva Ibrahim
Karina de Pino
Larissa Caldin
Leandro Muller Lima
Leandro Vasconcelos Thomaz
Leear Martiniano De Sousa
Liana Pérola Schipper
Linda Teresinha Saturi
Lívio Meireles Capeleto
Lourdes Silva Dias
Lu Magalhães
Luana de Souza Mercurio
Lucas Josijuan
Luciana de Melo Souza
Luciana Figueiredo
Luciana Grings
Luciana Thomé
Luis Cesar De Sousa
Luiz Fernando Cardoso
Maíra Oliveira
Maju Alves
Malzoni Correa da Costa
Manoel Lauand
Mansur Bassit
Manuel Messias da Silva Filho
Marcelo Duvidovich
Marcelo Gioia
Marcelo Jose Ruv Lemes
Marcelo Mineiro
Marcelo Pelegia
Marcio Coelho
Márcio Jeronymo Rodrigues da Costa
Marcus Watson Netto de Oliveira
Maria Carolina Borin
Mariana Bueno
Mariana Medeiros Massarani
Mariana Rolier
Mariana Warth
Marilia Barcellos
Marilu Amaral Mario Sampaio
Marina Avila Pierini ME
Marina Falcão
Marleth Silva
Marly de Castilho
Matheus Viana Zuca
Maurício de Albuquerque Melo Júnior
Mauricio Simões
Maxim Behar
Mila Bartilotti
Monique D’Orazio
Morales Perlingeiro Editora e Assessoria Ltda
Natália Costa Custódio
Nelson Naspitz
Nora Ferreira
Oran Takezo Kalil
Orlando Rafael Prado
Ovídio Poli Junior
Paula Fábrio
Paulo De Almeida Lima
Paulo Ferracioli Silva
Paulo Otávio Barreiros Gravina
Paulo Roffé
Pedro Almeida
Ra Barros
Rafael Kalebe Ribeiro Ferreira
Rafaela Pechansky
Rebeca Rossi Lacerda
Renata Alessandra Bueno
Renata Nakano
Ricardo Camps
Ricardo Costa
Ricardo Garrido
Ricardo Lelis
Ricardo Santhiago
Richardt Rocha Feller
Roberta Vaiano
Roberta Vêncio
Roberto Aguiar Jr.
Roberto Alberto Zsoldos
Rodrigo Pereira Lopes de Faria e Silva
Rosana Trevisan
Rosane Nunes De Oliveira Pessanha
Sâmela Roberta Hidalgo
Sandra Reimao
Sergio Reis Alves
Sergio Ricardo Alves
Sintia Mattar
Talita Facchini
Tatiana Cukier
Tatiana Vieira Allegro
Telma Kobori
Thiago A L
Úrsula Antunes
Valéria Pergentino
Vanda V. Castro
Vera Esaú
Victor Almeida
Waldiney M Azevedo
Waldir da Silveira
Wilson Antonio Rossato Júnior
Yúri Koch Mattos
Yuri Oliver

100 nomes da edição no Brasil já está disponível para compra no nosso site.

Clique aqui e adquira o seu!

Leonardo Neto é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Goiás e pós graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Depois de uma carreira de mais de 15 anos em comunicação corporativa e assessoria de imprensa na área Cultural, ele assumiu, em 2014, como editor-chefe do PublishNews, o maior portal de informações e de notícias sobre o mercado editorial brasileiro. Desde então, esteve na cobertura de importantes eventos como as feiras do Livro de Frankfurt, de Londres, de Sharjah e de Buenos Aires. Em 2016 foi convidado pelo governo alemão para compor uma missão de editores brasileiros naquele país e, em 2019, foi eleito um dos três melhores jornalistas no mundo na cobertura do mercado editorial pela Feira do Livro de Londres e pela UK Publishers Association.
Publicado em Deixe um comentário

O Brasil que lê

Em todo o Brasil é possível encontrar iniciativas que buscam reconstruir os caminhos perdidos pela falta ou ineficiência de uma educação de qualidade e inclusiva, que garanta sustentabilidade cultural e crítica aos seus cidadãos. Em escolas, bibliotecas de acesso público, associações de moradores, praças, igrejas e outros tantos espaços promove-se a leitura através de projetos que se mantém pela insistência daqueles que acreditam que a leitura é um direito e pode estar na base da transformação que esse país precisa.

O Brasil que Lê é uma pesquisa que reúne em parceria o Instituto Itaú Cultural, o Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, a Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e a JCastilho Consultoria para uma ação de mapeamento e análise de projetos de formação de leitores e mediadores em todos os estados brasileiros. O objetivo é dar visibilidade a ações que estão (re)construindo o tecido social brasileiro através da leitura e da cultura, resgatando histórias e vidas, compartilhando conhecimento e apoiando decisivamente o estabelecimento de novos patamares para a formação continuada de leitores no país.

A perspectiva é que a pesquisa recolha projetos de leitura e apresente, além de um mapeamento histórico, geográfico e social dessas ações, um levantamento sobre práticas, perfis de mediadores e uso de tecnologias de informação e comunicação em promoção de leitura. Para a captação dos dados dos projetos será utilizado um questionário virtual cujo link será divulgado nas redes sociais das instituições envolvidas e em contatos diretos com promotores de leitura. Quem realizar ou conhecer algum trabalho deve se inscrever e obter um selo de participação.

Os diferentes nichos de informação apurados pelo trabalho serão fundamentais para a compreensão do que é feito para promover a leitura em nosso país e podem apontar possibilidades e demandas que orientem futuras ações e investimentos. Os resultados dessa pesquisa serão publicados e divulgados conjuntamente pelas instituições parcerias. Buscar conhecer é o primeiro passo.

Para participar da pesquisa, você deve acessar este formulário. O projeto conta muito com a ajuda de todos!

Fonte: O Brasil que lê

Publicado em Deixe um comentário

Cultura da paz: uma resenha por Ana Haddad

Ao percorremos as páginas de Cultura da Paz somos surpreendidos com mais uma obra de Marco Lucchesi. Este que, acima de tudo, prima não somente pela erudição, mas, inclusive, pela solidariedade profunda, própria daqueles que possuem brilho silencioso, irradiante. Em outras palavras: sente dores autênticas diante dos inúmeros dramas humanos que subtraem o direito da existência plena. Um poeta que exala satisfação, generosíssima, ao ressaltar valores de escritores, pensadores, artistas, refugiados, presidiários. Sem fronteiras geográficas, históricas, hierárquicas e temporais.

Cultura da Paz pode e deveria ser lido como uma verdadeira Educação Estética. Os textos de Marco Lucchesi são exigentes. Exigentíssimos. Reforçam, inclusive, uma posição importante de nosso mestre Deleuze, ou seja, de que a verdadeira literatura não se faz apenas com intenções literárias. Solicitam do leitor
um repertório não somente voltado para a literatura. Mas para a pintura, história, geografia, ciências em geral, filosofia, música, política, teologia.

Marco Lucchesi desafia, uma vez mais, a capacidade de confronto das habituais insuficiências que sempre inquietaram os que realmente pensam. Ao terminar a leitura dos ensaios, contidos neste livro, de imediato, sentimos a necessidade de retomá-los. Talvez de forma descontínua. Cada ensaio é uma síntese
em alto grau de excelência. Cada texto remete o leitor a um diálogo com a tradição e valores que atualmente, mais do que nunca, deveriam ser repensados e avaliados por todos os seres humanos que ainda acreditam na capacidade da admiração, indignação e, sobretudo, no fascínio dos verdadeiros textos com alto grau de poeticidade.

E, finalmente, observe-se um projeto editorial de altíssima qualidade. Capa, ilustrações e outros detalhes importantes que dão à obra a seriedade que ela merece.

Cultura da Paz já está em pré-venda.

Garanta o seu.

Ana Maria Haddad Baptista possui pós-doutoramento em História da Ciência,
Universidade de Lisboa e pela PUC/SP onde se aposentou. Mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC/SP). Possui vasta experiência no magistério do Ensino Superior. Diversas publicações no Brasil e exterior. Atualmente trabalha como pesquisadora e professora nos programas de pós graduação stricto sensu Educação da Universidade Nove de Julho de São Paulo.